O Santander (SANB11) tem o pior desempenho do setor no ano na B3, com queda acumulada de 16,52%. O Banco do Brasil (BBAS3) também recua e perde 5% em 2026. No mesmo período, Itaú (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) sobem 2,24% e 3,52%, respectivamente, mas operam com cotações mais baixas do que as registradas no começo do ano. Os papéis do Bradesco (BBDC3;BBDC4), por sua vez, avançam 1,5% nos ordinários e 0,28% nas preferenciais.
Em relatório, analistas do BTG Pactual explicam que a queda mais acentuada do Santander se deu porque o banco divulgou resultados do quarto trimestre de 2025 e do primeiro trimestre de 2026 abaixo das expectativas do mercado. No caso do BB, os analistas avaliam ter espaço para novas correções.
Os bancos listados nos Estados Unidos também amargam perdas. O Nubank (NU) tomba 23,78% em 2026, enquanto o Inter (INTR) derrete 27,59%. “A correlação com empresas americanas de consumo e fintechs não ajudou, enquanto as preocupações com qualidade dos ativos e tendências de inadimplência aumentaram de forma significativa nas últimas semanas”, explica o BTG sobre os papéis.
Por trás da queda, os gringos
Nos primeiros quatro meses do ano, o fluxo de capital estrangeiro na B3 acumulou entrada líquida de R$ 56,544 bilhões. Em maio, porém, o movimento se inverteu: até o dia 18, dado mais recente disponível, os investidores estrangeiros já haviam retirado R$ 10,532 bilhões da Bolsa brasileira no mês.
No começo de 2026, o capital gringo puxou principalmente as chamadas large caps, empresas de maior valor de mercado, como os bancos. Com a saída desse dinheiro em maio, os papéis das instituições financeiras foram pressionados.
Além do fator relacionado à liquidez, Malek Zein, analista de ações da Suno Research, pontua que a temporada de balanços também mexeu com as ações do setor financeiro. “Os resultados não foram ruins, mas vieram em linha com o esperado e as ações já haviam subido muito no início do ano”, diz.
Um levantamento realizado pela Elos Ayta Consultoria mostrou que Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander registraram lucro líquido conjunto de R$ 25,263 bilhões entre janeiro e março deste ano. O resultado representa uma queda de 5,83% em relação aos R$ 26,828 bilhões apurados no quarto trimestre de 2025. Foi a primeira retração trimestral desde o quarto trimestre de 2023 e o maior recuo desde aquele período, quando o lucro consolidado havia caído 9,78%.
Na avaliação de Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, entre os maiores bancos brasileiros, Itaú e BTG foram os destaques positivos da temporada de balanços do primeiro trimestre, com boa rentabilidade e desempenho operacional consistente.
Do lado mais fraco, esteve o Nubank, com despesas mais elevadas do que o esperado. “O Bradesco também trouxe números que ficaram abaixo das expectativas em alguns pontos, principalmente pela questão das provisões, embora exista expectativa de melhora gradual ao longo dos próximos trimestres”, afirma.
Nos três primeiros meses do ano, as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) do Bradesco saltaram 26,5% no confronto anual, para R$ 9,7 bilhões.
Hora de investir nas ações de bancos?
Na leitura do Itaú BBA, enquanto os preços do petróleo permanecerem elevados, pressionando as expectativas de inflação, o mercado pode continuar ignorando os lucros de curto prazo dos bancos. Por outro lado, se o petróleo voltar a cair, os mercados tendem a relevar eventuais adversidades que possam aparecer mais à frente nos balanços do setor.
O BBA nota um descolamento entre a percepção dos investidores e o que os bancos observam na prática. A casa aponta ainda que os investidores não diferenciaram as instituições, com todos os bancos sofrendo quedas semelhantes nos últimos 30 dias. Na prática, isso pode favorecer as empresas consideradas de maior qualidade, que teriam potencial de recuperação semelhante ao dos concorrentes, mas com maior capacidade de atravessar uma eventual piora operacional.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, aponta que, para quem gosta do setor financeiro, o momento atual representa uma oportunidade de girar a carteira e aumentar a posição no segmento ou então abrir espaço a bancos com melhor liquidez.
Segundo ele, entre as opções mais seguras, estão os bancos com menor exposição a crédito duvidoso – ou, como o mercado chama, devedores duvidosos, aqueles onde o risco do capital emprestado sobe junto com os indicadores de aumento de inadimplência e endividamento das empresas e famílias.
Do outro lado, há nomes que demandam maior cautela, como o Banco do Brasil. “Foi um papel que sofreu no ano passado com os riscos advindos do setor agro. A empresa melhorou sua gestão e sua condução para mitigar danos, mas agora se vê, mais uma vez, com problemas de inadimplência e dificuldade de recuperação de créditos”, destaca.
As preferências no setor
Para Bresciani, do Andbank, a preferência continua sendo o Itaú, que entrega consistência operacional, boa rentabilidade e controle de inadimplência.
Segundo ele, o Bradesco é outro banco que merece atenção positiva. “Apesar das pressões recentes, a expectativa é de melhora gradual dos resultados ao longo do ano, conforme o banco avance no ajuste operacional e na normalização das provisões”, diz.
O BBA também gosta do Bradesco e ressalta o preço do papel, que negocia próximo de 1 vez o valor patrimonial (P/B). A casa avalia que o banco entrega consistência na carteira de crédito e um tom positivo no segmento de seguros.
Dentro do subsetor de mercado de capitais, o BBA mantém preferência pelo BTG Pactual, classificado com recomendação outperform (equivalente à compra). O papel do BTG negocia a 10,5 vezes o lucro estimado para 2026.