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Educação Financeira

Dia das crianças: educação financeira é presente e investimento

Veja algumas dicas de como introduzir a educação financeira para as crianças

Por Rebeca Soares

11/10/2021 | 19:10 Atualização: 11/10/2021 | 19:12

No dia das crianças,  os irmãos Giovanna (7), Gustavo (7) e Gabriel (9) escolheram dinheiro para administrar e comprar os próprios produtos e passeios desejados (Foto: Sabrina Mestieri Nakao)
No dia das crianças, os irmãos Giovanna (7), Gustavo (7) e Gabriel (9) escolheram dinheiro para administrar e comprar os próprios produtos e passeios desejados (Foto: Sabrina Mestieri Nakao)

Com a chegada de mais um dia 12 de outubro, o Dia das crianças, muitas famílias aproveitam a data para se reunir e presentear as crianças com brinquedos, roupas e, por que não, ativos de investimento? Esse é o caso dos gêmeos Giovanna e Gustavo, de 7 anos, e o irmão Gabriel, de 9 anos, que já entendem os conceitos da renda variável e utilizam no dia a dia. Ao serem questionados pelos pais se gostariam de ganhar um brinquedo ou a quantia equivalente em dinheiro, o trio optou pelo valor e agora as crianças pretendem dividir o montante entre aplicações e pequenas compras com o auxílio dos pais.

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Sabrina Mestieri Nakao, mãe das crianças, ensina os pequenos sobre educação financeira desde os três anos de idade. Parece cedo, mas ela explica que desde que os filhos começaram a pedir produtos como doces e brinquedos, já foi possível introduzir conceitos de forma lúdica. Na idade atual, eles compreendem o funcionamento da Bolsa, recebem orientações sobre quais companhias e setores podem ser boas opções e já investem em ações junto com a família.

Jornalista por formação, Nakao atua hoje como professora de educação financeira para o público infantil e compartilha o ensino para os filhos nas redes sociais. Segundo ela, a preocupação em falar sobre o tema desde cedo surgiu porque durante a sua infância a situação financeira dos pais não era confortável.

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“Mesmo podendo oferecer aos meus filhos um conforto muito melhor do que eu tive na infância, não quero que eles tenham tudo de bandeja, sem reconhecer a dedicação e o esforço necessários para construir um patrimônio”, afirma Nakao.

De acordo com a jornalista, o passo inicial para apresentar conceitos é mostrar o quanto cada produto ou atividade custa de forma direta. “Não adianta dar um cofrinho se a criança não vai ter a noção do que ela pode comprar colocando moedas lá. Além disso, valores muito pequenos podem desencorajar os pequenos. Moedas de R$ 1 são um começo mais palpável para eles”, diz.

Para isso, ela utiliza a metodologia das cores, método no qual divide as contas em envelopes coloridos de acordo com os objetivos e prazos. De forma fácil e acessível, as crianças aprendem a gerir e escolher como gastar cada fatia.

Paciência, dedicação e inclusão nos gastos domésticos

Ricardo Figueiredo é gestor de fundos imobiliários da Spiti e replica todo o seu conhecimento sobre o mercado financeiro para o filho Pedro, de 5 anos. “Assim que ele nasceu, fizemos dois investimentos pensando no longo prazo. Um para a saúde, com a coleta de células tronco, e o outro financeiro, em previdência privada”, diz.

Apesar de ter iniciado cedo, o gestor explica que a preocupação com o futuro dos filhos deve ser planejada o quanto antes e de forma adaptada à realidade de cada família. Figueiredo comenta que já vê resultados pela dedicação na transmissão do assunto ao filho.

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“Poderíamos levar meia hora para fazermos as compras, mas preferimos levar o Pedro junyo para ensinar sobre os preços e como economizar, o que contribui no conhecimento dos números e operações”, explica. Segundo ele, embora seja mais trabalhoso, o ensino prático do uso do dinheiro na economia familiar vai refletir na forma que a pessoa vai agir desde quando receber o primeiro salário até a aposentadoria.

Ele explica que o filho participa, inclusive, das escolhas dos produtos, acompanhando a análise dos marcadores de preço e identificando as melhores opções.

Figueiredo ressalta ainda que a paciência é essencial para os pais perceberem resultados. Pela pouca idade, a percepção de mudanças pode demorar a acontecer, mas é essencial para a melhor gestão financeira ao longo de toda a vida.

Benefício da educação financeira na infância

Assim como os investidores mais velhos traçam planos para curto, médio e longo prazos, as crianças possuem um caminho ainda mais longo para ser trilhado. Além do desejo pela compra de um determinado produto, gastos com estudo, intercâmbio e até a aposentadoria já podem ser calculados desde cedo. Entretanto, para os responsáveis, é ideal levar os pequenos no caminho da educação financeira.

Embora o conhecimento sobre dinheiro seja considerado mais concreto a partir dos 7 anos, desde muito cedo é possível introduzir conceitos sobre o tema para os pequenos. A oportunidade pode surgir na hora em que eles pedem um sorvete, um brinquedo ou uma diversão. Para isso, os pais podem adotar algumas estratégias, além de se munir de paciência e foco no futuro.

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Ao organizar as finanças familiares para comprar um imóvel, o administrador Rogério Caetano, pai de Izabella, de 13 anos, aproveitou a temática para mostrar à filha as possibilidades de rendimento com a mesada já acumulada, atrelando o valor em indicadores de inflação, por exemplo. Para ela, foi a oportunidade de sonhar alto e planejar um investimento para cursar uma graduação no exterior.

Focada no objetivo, ela buscou estratégias para alcançar o sonho. Além de fazer atividades que possam gerar renda além da mesada, como passear com cachorros de vizinhos no prédio, ela apresentou para os pais a possibilidade de fazer um ensino médio em escolas públicas para reduzir gastos, investir e alcançar a meta.

Como falar de educação financeira para as crianças

A especialista de educação financeira da Ágora Investimentos, Sarai Molina, ressalta que uma das estratégias mais utilizadas e eficientes é o pagamento de mesada ou a chamada ‘semanada’, que adapta a noção de tempo das crianças sem tornar a espera pelo retorno intangível, considerando a noção de tempo dos pequenos.

Se considerado 30 dias de intervalo, as crianças podem ficar desestimuladas, enquanto o pagamento semanal, após 5 dias escolares, por exemplo, seja mais concreto para os jovens investidores. Não existe um valor mínimo estipulado e qualquer família pode introduzir o tema de maneira lúdica. Dessa forma, a relação com o dinheiro vai ser refletida ao longo de toda a vida.

Cinco dicas práticas para os pais

Sandra Peres Komeso, analista do TradeMap, lista cinco dicas para os pais que desejam investir pensando no futuro dos filhos e incluí-los no processo de educação financeira familiar.

  • Falar na linguagem das crianças: um bom momento para entrar no assunto e explicar o valor do dinheiro é quando a criança pede um brinquedo novo. Nessa hora, os pais podem explicar como o dinheiro é utilizado e o que é preciso fazer para conseguir o produto desejado.
  • Estimular o bom uso do dinheiro: é importante mostrar que existem outras opções e que, em vez de gastar todo o dinheiro de uma vez, pode reservar uma parte para, no futuro, poder comprar um brinquedo ou outra coisa mais cara que ela tenha interesse. Dessa forma, a criança aprende que, com autocontrole e planejamento, pode conseguir o que deseja.
  • Anotar gastos: um aprendizado para a vida e vai trazer lições sobre não gastar mais do que ganha e de poupar. Com isso, a criança também começa a entender como o dinheiro se multiplica. Ela passa a perceber que, ao guardar um montante por mês, o valor vai aumentando e, com isso, consegue alcançar seus objetivos.
  • Ser exemplo: ao ver os pais controlarem as finanças, a criança percebe a importância de gastar com consciência. Uma boa opção é compartilhar o orçamento da família com os filhos, assim, todos podem contribuir com as despesas da casa, ajudando, por exemplo, a economizar água ou energia.
  • Ensinar a investir: para investir para os filhos ou ensiná-los a investir, é preciso definir um objetivo, ou seja, o que se pretende alcançar com essas economias. A partir daí, é possível estabelecer qual o melhor investimento para a criança, que pode variar desde alternativas de renda fixa (como Tesouro Direto, fundos do tipo DI ou CDBs) a renda variável.

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