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Educação Financeira

E agora, Juliette: Como investir o R$ 1,5 milhão de prêmio do BBB?

Analistas explicam como a campeã do BBB21 poderia se planejar para ter segurança financeira

Por Isaac de Oliveira

04/05/2021 | 13:24 Atualização: 22/11/2023 | 14:52

Juliette Freire em foto para a capa do primeiro EP. Foto: Virgin Records
Juliette Freire em foto para a capa do primeiro EP. Foto: Virgin Records

Como investir R$ 1,5 milhão? Quem pode pensar nisso agora é Juliette Freire, que se sagrou campeã da 21ª edição do Big Brother Brasil (BBB21) nesta terça-feira (4). Depois de 100 dias de confinamento transmitido para todo o Brasil, o público escolheu a maquiadora e advogada como a mais nova rica do País.

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Em uma “continha de padaria”, a paraibana de 31 anos vai receber R$ 500 mil por cada um dos três meses – ou R$ 15 mil por dia – em que ficou enclausurada na “casa mais vigiada do Brasil”.

Em 2020, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que metade dos brasileiros sobrevive com R$ 438 mensais. Ou seja: 105 milhões das pessoas têm menos de R$ 15 por dia para tentar custear todas as suas necessidades básicas.

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Para acumular R$ 1,5 milhão, investindo R$ 1 mil por mês, seriam necessários 27 anos com uma taxa anual de 10% – percentual que não é tão simples de alcançar. Em 2020, considerando o desconto da inflação, a poupança fechou em queda de 2,30%. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, ficou negativo em 1,53%, e o CDI em 1,68%.

Com R$ 1,5 milhão na conta bancária, Juliette terá a chance de garantir sua segurança financeira para toda a vida, desde que faça um bom planejamento de investimentos. Isso sem considerar os recursos que ela deve obter após o reality show. Só no Instagram, rede social que gera milhões de reais para influenciadores digitais, ela conquistou mais de 23 milhões de novos seguidores durante o programa, inclusive batendo recorde internacional de engajamento em suas publicações.

Como a campeã do BBB deve começar a jornada de investidora?

Para especialistas em finanças e investimentos ouvidos pelo E-Investidor, Juliette precisa ter consciência sobre o momento de vida atual e o que espera para o futuro, além de tomar alguns cuidados com as armadilhas que surgem na vida de milionária.

É comum que. pelo deslumbre do alto poder aquisitivo repentino, os novos ricos gastem com coisas que trazem mais dívidas. O alerta é de Carol Stange, educadora em finanças pessoais. “É o caso de quem compra muitos carros, casas e terrenos e não faz as contas do quanto o custo de vida será impactado ao trazer esses passivos para dentro da vida financeira”.

A especialista reforça que é preciso ter em mente o quanto se pode gastar. Outra instrução é reservar uma parte do prêmio para montar uma reserva financeira destinada a emergências e imprevistos. O ideal é sempre mantê-la em uma aplicação com liquidez diária, que permite o resgate quando necessário.

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Esse mesmo recurso também pode ser destinado a custear total ou parcialmente as despesas mensais, e ser reposto à medida que Juliette obtenha outras fontes de renda.

Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos, sugere reservar uma fatia que represente um ano desses custos mensais. Ou seja, se são necessários R$ 10 mil por mês para manter ou complementar as despesas, deve-se separar R$ 120 mil apenas com este fim.“Dinheiro, se não controlarmos e colocarmos em um cercadinho, ele escapa. Quando menos percebermos, ele se foi”, reforça Blanco.

Com a segurança financeira garantida, é importante que Juliette entenda o quanto de risco suporta como investidora – conservadora, moderada ou arrojada – e os seus objetivos ao longo do tempo.

A sugestão de George Wachsmann, CIO e sócio fundador da Vitreo, é pensar no longo prazo. “Se o dinheiro veio de uma forma extraordinária, por que não usá-lo para comprar uma tranquilidade no futuro?”, questiona.

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O CIO da Vitreo lembra que é importante separar uma quantia para o consumo de uma demanda reprimida, como uma viagem. Mas sem extravagâncias na realização dos sonhos. “Produtos de previdência são interessantes porque permitem deixar o dinheiro acumulando resultado no longo prazo. Especialmente para pessoas jovens, que têm bastante tempo para o recurso trabalhar a favor delas”, avalia Wachsmann.

Renda fixa ou variável: Onde e como investir?

Com a segurança financeira estabelecida, objetivos traçados e perfil de risco identificado, há diversas alternativas no mercado brasileiro, que tem expandido a oferta de produtos e serviços.

Para a estrategista da Órama, fundos imobiliários, ações e investimentos no exterior são alternativas interessantes a depender do risco suportado e do prazo do investimento.

Os especialistas chamam atenção para o cuidado com os riscos nas aplicações, que podem ajudar ou atrapalhar, caso não sejam bem dosados.

“É muito comum as pessoas darem conselhos para ser agressivo no investimento desses recursos que acabou de ganhar, porque vai conseguir renda passiva para o resto da vida”, frisa Stange. “Às vezes, a pessoa tem uma vida financeira saudável, com grande sobra de recursos, mas é conservadora. Não adianta nada ela ganhar uma rentabilidade extra com investimentos fora do seu perfil, e gastar toda a rentabilidade a mais com rivotril”, reforça a educadora financeira.

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Wachsmann sublinha que é preciso não se deixar levar pelas emoções, que costumam amenizar o temor pelas perdas e reforçam as expectativas apenas nos ganhos. Para o gestor, boas alternativas com foco no longo prazo são ações, alguns títulos de renda fixa e outras “pimentinhas”, como criptomoedas. “Também defendo a diversificação no exterior, por conta das moedas e das oportunidades. Estamos vendo agora uma super retomada da economia norte-americana e não faz sentido manter todas as aplicações no Brasil, que representa menos de 2% da economia mundial”, diz o CIO da Vitreo.

Em quanto tempo Juliette dobraria o prêmio?

O sonho de muitos investidores é de dobrar as aplicações em algum momento da vida. Ainda que R$ 1,5 milhão possa abrir os horizontes para a diversificação, chegar a esse feito leva alguns anos.

A estrategista da Órama observa que transformar os recursos do prêmio em R$ 3 milhões levaria nove anos com uma carteira moderada rendendo 8% ao ano. “Além de ter um plano e fazer um investimento, é importante acompanhar e fazer as revisões periódicas”, diz Blanco.

Mas o investidor precisa lembrar que a inflação pode afetar o poder de compra da aplicação. Para isso, o CIO da Vitreo utiliza um título de renda fixa para exemplificação. Neste caso, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055, que paga a taxa de inflação (variável) mais uma percentual fixo de 4,50%. Com este parâmetro, os três milhões de reais seriam alcançados em 15 anos.

“Essa é uma boa referência porque, se a pessoa tem hoje R$ 1,5 milhão e o título devolveu o dobro, mas a inflação subiu 50%, então os R$ 3 milhões não compram duas vezes aquilo que se podia com o valor inicial. Com o título atrelado à inflação, o investidor consegue ter duas vezes o poder de compra do que tem hoje”, conclui Wachsmann.

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Errata: Com base no valor do prêmio e do período em que ficou na casa, Juliette recebeu R$ 15 mil por cada um dos 100 dias de confinamento, e não R$ 10,1 mil, como foi publicado anteriormente. O texto foi corrigido.

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