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A mudança amplia a utilidade prática dos FIIs, que operarão não mais exclusivamente como instrumentos de renda e diversificação para também integrar a engrenagem de gestão de risco do mercado. A decisão reforça o processo de amadurecimento de uma classe de ativos que ocupa espaço relevante entre investidores pessoas físicas.
A novidade implica que cotas de fundos imobiliários elegíveis poderão ser usados como proteção em operações realizadas na B3 que exigem margem. Esse mecanismo funciona como uma espécie de seguro financeiro, garantindo que compromissos assumidos sejam honrados mesmo em cenários adversos.
Ao operar produtos que podem gerar perdas, como derivativos, é preciso depositar uma garantia para assegurar o cumprimento das obrigações. Se o mercado se move de forma adversa, a bolsa utiliza esse valor para cobrir prejuízos e evitar inadimplência.
Com a mudança, em vez de deixar recursos em dinheiro ou títulos públicos, o investidor poderá usar FIIs para cumprir essa exigência.
A inclusão dos FIIs nesse universo tende a ter um efeito direto sobre sua atratividade. Até aqui, o papel desses fundos estava concentrado na geração de renda recorrente, com a vantagem da isenção de Imposto de Renda sobre dividendos para pessoas físicas. Agora, passam a oferecer também eficiência no uso do capital, ao permitir que o mesmo ativo cumpra múltiplas funções dentro da carteira.
Esse tipo de flexibilidade costuma ser particularmente valorizado por investidores mais ativos, que operam produtos que exigem margem, mas também pode ter efeito indireto sobre o varejo ao reforçar a liquidez e a relevância do mercado.
O movimento ocorre em um momento de crescimento consistente da indústria. Em março de 2026, os FIIs movimentaram R$ 11,4 bilhões em negociações, segundo a própria B3, sinalizando um mercado mais profundo e com maior participação.
A iniciativa também dialoga com uma agenda recente da bolsa voltada ao fortalecimento desses fundos. Nos últimos anos, foram implementadas medidas como a recompra de cotas para cancelamento, a negociação em grandes lotes e o lançamento de fundos de índice (ETFs) de FIIs com distribuição de proventos. Em 2025, a equiparação aos Real Estate Investment Trusts (REITs) estrangeiros abriu caminho para maior inserção internacional.
Nem todos os fundos poderão ser usados como garantia. A B3 definiu critérios mínimos de liquidez e negociação para selecionar os elegíveis. Entre os requisitos estão volume diário mediano de ao menos R$ 2 milhões e presença em pregão em todos os dias dos últimos 84 pregões, além de um número mínimo de negócios e preço médio acima de R$ 1.
A lista inicial contará com 28 FIIs e será divulgada junto com os limites de aceitação de cada ativo, que podem variar conforme o perfil de risco. A relação será atualizada periodicamente.
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