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Investimentos

Onde investir na renda fixa para proteger agora o patrimônio da inflação

Confira as recomendações dos analistas para títulos do Tesouro e privado; IPCA subiu 0,16% em março

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

10/04/2024 | 11:32 Atualização: 10/04/2024 | 11:32

Inflação (Créditos: Envato Elements)
Inflação (Créditos: Envato Elements)

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em março, mostram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (10). A alta de março foi puxada pelo preço dos alimentos, o tomate subiu 9,85% e a cebola avançou 14,34%. No acumulado de 12 meses até março de 2024, a inflação sobe 3,93%. A cifra está abaixo dos 4,01% esperados pelo mercado para o período.

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Andre Fernandes, head de Renda Variável e sócio da A7 Capital, lembra que o resultado de março ficou abaixo da estimativa do mercado, que esperava uma inflação mensal de 0,25%.

Para Santiago Schmitt, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, a inflação deve seguir amena até o fim de 2024. “Isso é reflexo da política monetária do Banco Central, que manteve a Selic em um patamar elevado nos últimos dois anos, trazendo um arrefecimento da inflação”, diz.

  • Saiba mais: Qual investimento da renda fixa rende 12% ao ano com Selic a 10,75%?

André Campos, operador de renda fixa na Nova Futura Investimentos, diz acreditar que haverá um alívio nos preços dos alimentos após a forte alta recente. “No entanto, o setor de serviços deve seguir pressionado e a inflação deve encerrar 2024 entre 4,02%”, explica.

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Ainda que a atual taxa de inflação pareça inofensiva, ela consome parte da rentabilidade do investidor e pode se tornar imprevisível em alguns momentos. Em 2022, por exemplo, a inflação de março foi de 1,62%, a maior para o mês desde a criação do real.

Naquela época, a inflação no acumulado de 12 meses era de 11,3%, com a Selic entre 10,75% e 11,75% ao ano, visto que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros em 1 ponto porcentual na reunião de 16 de março de 2022. Ou seja, com uma inflação de 11,3%, os juros reais no Brasil entre os dias 1 e 16 de março estavam negativos em 0,55%. Já após a elevação da Selic, ficou positivo em 0,45% ao mês.

Como proteger os investimentos da inflação

Justamente por causa desse histórico de inflação que o Brasil possui os analistas comentam que o melhor para o investidor consiste em ter ativos na carteira com foco em proteção contra a inflação. Na visão de Fabrício Silvestre, analista de renda fixa da Levante Inside Corp, os melhores ativos para o investidor se proteger da inflação na renda fixa são os títulos do Tesouro que pagam uma rentabilidade real mais o IPCA.

Caso, por exemplo, o investidor escolha um título que paga 5% ao ano mais a taxa da inflação, tendo os preços subidos no mesmo patamar de março de 2022, o investidor teria um rendimento de 11,3% do IPCA mais a rentabilidade 5%, dando um retorno bruto final de 16,3% ao ano.

  • Renda fixa: como usar o IPCA+ para perpetuar seu patrimônio?

“Atualmente, os títulos do Tesouro IPCA pagam um juro real de 5,9% e 6% ao ano, trazendo uma rentabilidade bruta de até 9,93% ao somar a inflação atual. Além do Tesouro IPCA, o investidor também pode encontrar uma boa rentabilidade no mercado de crédito privado, como as debêntures. Essa modalidade são títulos de dívidas emitidos pelas empresas”, afirma Silvestre, da Levante.

A grande questão é que o investidor pode ficar em dúvida entre o Tesouro IPCA e os títulos de crédito privado. Na tese de Luís Amaral, analista de Macro Research da Bloxs, não é possível dizer qual título é melhor sem conhecer o perfil de quem aportará o dinheiro.

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“Quando falamos de renda fixa, os títulos públicos são considerados aqueles de menor risco e trazem, portanto, maior segurança. Já os privados, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), por exemplo, apresentam maior risco comparado aos públicos, mas também tendem a proporcionar um retorno maior”, afirma Amaral.

Quais títulos da renda fixa comprar agora?

Para os títulos públicos, os analistas possuem diversas recomendações. Jéssica Mota, diretora de Desenvolvimento de Negócios da Bloxs, indica a compra do título Tesouro Educa+ pelo fato de ele possuir uma rentabilidade de 5,75% ao ano, além do IPCA.

O título tem o intuito de ser utilizado para pagar a educação de filhos dos investidores, seja universitária seja em outras fases educacionais. O título recomendado tem vencimento em 2026. Vale lembrar que o Tesouro Educa+ retorna o rendimento para o investidor em até 60 parcelas com correção monetária. Os recebimentos mensais miram as mensalidades educacionais.

  • Leia também: Como você pode ganhar dinheiro apostando no sobe e desce da Selic

Para quem não está focado em planejamento financeiro para a educação dos filhos, os analistas possuem outras recomendações. Fabrício Silvestre recomenda o Tesouro IPCA+ com rentabilidade de 5,69% ao ano, com vencimento em 16 de agosto de 2026. “Acredito que o momento de instabilidade nas expectativas quanto ao corte de juros nos Estados Unidos com a aproximação do final de corte de juros no Brasil e a situação fiscal pouco favorável em que nos encontramos justifica uma cautela adicional na alocação. Por conta disso, preferimos títulos de duração menor”, comenta.

Santiago Schmitt, da Manchester Investimentos, acredita que o investidor conservador pode esticar esse prazo se não ver problema. Ele diz acreditar que o título Tesouro IPCA+ com vencimento em 2028 é uma boa opção. “Esses ativos de menor prazo apresentam uma menor volatilidade no mercado. Por isso, preferimos eles para os conservadores”, comenta Schmitt.

Prazo de vencimento dos títulos

Vale lembrar que esses títulos sofrem a famosa marcação a mercado. Suponhamos que o investidor tenha comprado um título com juro real de 4% ao ano. Se ele ficar com o título até o vencimento, vai receber exatamente o que foi acordado no ato da compra: a inflação do período mais os 4% ao ano. Todavia, caso o investidor queira vender o título antes do vencimento, ele deve sofrer marcação a mercado, pois o mercado secundário exigem um “prêmio” para adquirir o ativo antes do vencimento.

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Em meio a essas questões, Schmitt também trabalha com um prazo maior em relação aos investidores arrojados. Enquanto Silveira diz que os mais arrojados devem investir no máximo até o título Tesouro IPCA + com rentabilidade 5,91% e vencimento em 2035. Schmitt afirma que esse título deve ficar para os investidores moderados. Já os arrojados devem investir no Tesouro IPCA + com vencimentos acima de 2035. Ele não dá um limite, pois indica que o investidor deve escolher o melhor com base no seu perfil de risco.

“Esses títulos de vencimentos mais longos são recomendados para os investidores que acreditam na tese de corte de juros mais acelerados pelo Federal Reserve (FED) e pelo Banco Central, visto que com a queda dos juros esses títulos tendem a se valorizar na marcação a mercado. E se o investidor quiser vendê-los antes do prazo de vencimento, ele terá um ganho”, afirma Schmitt.

Investimentos em crédito privado

Em relação aos títulos de crédito privado, os analistas possuem três dicas fundamentais. A primeira é comprar títulos de empresas com avaliação AAA (triple A). A segunda é entrar em títulos conforme o perfil, com vencimentos menores para conservadores e vencimentos maiores para arrojados. E por último, procurar os títulos isentos de imposto de renda, que são as debêntures incentivadas.

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No fim das contas, o investidor possui inúmeras possibilidades para proteger seus investimentos da inflação. O primordial é sempre escolher os títulos públicos com base em seu perfil e sempre elevar a régua nos títulos privados para assim não levar grandes sustos até o vencimento do título ou do resgate antecipado.

  • Veja mais: Luciano Telo: “Ritmo de corte de juros diminuiu devido ao cenário externo”

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