Como a petroleira estatal é altamente sensível à cotação internacional, o movimento acompanha a correção acentuada do petróleo no exterior, com o Brent chegando a cair mais de 9% nesta madrugada – confira aqui a cobertura da commodity em tempo real.
Os contratos futuros hoje reforçam a queda nos preços verificada ontem em meio a sinais de que um acordo entre Estados Unidos e Irã esteja mais próximo para acabar com a guerra no Oriente Médio.
Da euforia ao ajuste
A queda dos papéis da Petrobras sucede uma sequência de valorizações impulsionadas pelo avanço do petróleo recentemente, que havia incorporado um prêmio geopolítico relevante diante do risco de interrupção no Estreito de Ormuz. Prêmio este que pode começar a se desmontar.
O gatilho é a sinalização de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, considerada pelo mercado financeiro como o momento mais próximo de um acordo. A perspectiva de normalização dos fluxos globais reduz a probabilidade de choque de oferta e, por consequência, derruba a principal variável de sustentação recente das petroleiras.
Para além do preço da commodity, a expectativa de geração de caixa futura de empresas como a Petrobras, altamente alavancadas ao Brent, é fortemente afetada pelo ajuste.
Queda da Petrobras limita alta do Ibovespa hoje
Apesar do exterior positivo e das altas de outras blue chips — empresas de grande peso na Bolsa de Valores—, a queda da Petrobras puxa o freio do Ibovespa hoje. Como um dos ativos de maior peso na carteira do índice, as duas classes de ações da estatal representam, somadas, 12,796%.
Nesse contexto, mesmo em um dia de apetite global por risco, com bolsas internacionais em alta e avanço de ações cíclicas e de commodities metálicas, o Ibovespa chegou a renovar máxima intradiária, mas perdeu força ao longo da manhã, sustentando-se na faixa dos 187 mil pontos. Por volta das 12h avançava 0,14% aos 187.006 pontos.
O movimento se espalha por toda a cadeia de óleo e gás listada na B3. A Prio (PRIO3) recuava 4,16%, mesmo após números operacionais fortes no primeiro trimestre. A PetroReconcavo (RECV3) caía 1,24%, enquanto a Brava (BRAV3) cedia 0,76%.