Itaú Unibanco (ITUB4) reportou lucro líquido gerencial de R$ 12,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026, consolidando rentabilidade superior a 24%. (Imagem: Adobe Stock)
O Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) entregou no primeiro trimestre de 2026 (1T26) um reforço daquilo que o mercado financeiro já previa: consistência. O lucro líquido recorrente de R$ 12,2 bilhões representa uma alta de 10% em um ano – em linha com as expectativas de analistas, sustentado por uma rentabilidade elevada, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) na casa de 24,8%.
Para o analista Victor Bueno, da Nord Investimentos, esse padrão se tornou uma característica estrutural do banco. “Alguns podem chamar o resultado do 1T26 – veja os números completos do balanço aqui – de monótono ou até de ‘chato’. Eu, como analista e investidor, estou adorando essa chatice'”, afirma. Segundo ele, o Itaú se transformou em um “reloginho” quando o assunto é previsibilidade e eficiência.
A carteira de crédito total do Itaú cresceu cerca de 9% em um ano, chegando a R$ 1,48 trilhão, enquanto a margem financeira avançou 4%, para R$ 32,3 bilhões. O produto bancário, que soma margem financeira, serviços e seguros subiu 4,5%, refletindo também a alta de 2% nas receitas de serviços e o crescimento mais forte de seguros.
O Citi classifica o trimestre como sólido, ainda que com sinais pontuais de moderação. Os analistas destacam que a expansão da carteira perdeu fôlego, crescendo 7% na visão do banco, abaixo de períodos anteriores – movimento já esperado em um ambiente mais restritivo. Na margem financeira, a leitura é mista. Houve avanço da receita de juros, apoiado por Tesouraria, mas com leve pressão na margem com clientes.
A margem líquida de juros (NIM) teve expansão de 7 pontos-base, o que, segundo o Citi, indica “resiliência” na geração de receitas, enquanto a rentabilidade segue consistente mesmo em um cenário mais desafiador.
O ponto de atenção do Itaú: PMEs
A inadimplênciaacima de 90 dias ficou estável em 1,9%, e, como destaca o banco norte-americano, houve melhora nos indicadores mais avançados de atraso e na cobertura. Por outro lado, surgem sinais iniciais de atenção: uma deterioração marginal nos atrasos mais curtos, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs) no Brasil, um ponto que merece monitoramento.
A leitura do Banco Safra vai no mesmo tom: os números vieram “estritamente em linha” com as estimativas, sem mudanças relevantes nas tendências. Entre os pontos de pressão, destaque para o desempenho mais fraco das tarifas, com alta de apenas 2% no ano, refletindo desaceleração em mercados de capitais, queda em pagamentos e menor contribuição de contas correntes. A casa classifica o ativo com desempenho superior (equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 55,00.
Na mesma direção, Mario Mariante, da Planner, resume o trimestre como “um resultado consistente em linha com o esperado”. Ele chama atenção para o custo de crédito, que somou cerca de R$ 10 bilhões, pressionado pela menor recuperação de créditos, mas sem comprometer a leitura geral. A Planner tem recomendação de compra com preço justo de R$ 50,00.”Esperamos uma reação neutra para positiva no mercado financeiro“, afirma.
Mesmo com pressões pontuais – como alta de 4,5% no custo de crédito, menor contribuição da margem com o mercado e leve piora no capital (CET1 em torno de 12%) – o conjunto segue equilibrado. Houve também disciplina de custos, com despesas crescendo em ritmo controlado e melhora no índice de eficiência.
“A tendência segue sendo de manutenção de um guidance(projeção) positivo ao longo do ano, sem mudanças relevantes, o que sustenta a expectativa de continuidade de bons resultados ao longo dos próximos trimestres”, afirma Renan Parpinelli, analista do Andbank.
“Após a recente queda das ações, o papel volta a mostrar espaço para recuperação”, diz Parpinelli.
O 1T26 mostra que o Itaú (ITUB3; ITUB4) é um banco que continua entregando crescimento com controle de risco, ainda que sem grandes surpresas. Como resume o CEO, Milton Maluhy, o momento exige “cautela e disciplina no crédito”, com foco em crescimento responsável e qualidade da carteira. Para o investidor, o banco se mostra apoiado em previsibilidade, rentabilidade elevada e distribuição de dividendos.