Cenário instável no Oriente Médio transforma humor americano em preocupação com suas classes de ativos. (Imagem: Adobe Stock)
A Avenue avalia que o cenário para as principais classes de ativos nos Estados Unidos em maio segue marcado por incertezas, especialmente diante dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Isso tem levado a casa a adotar uma postura mais cautelosa, com posições majoritariamente neutras em Treasuries (títulos do Tesouro americano) enquanto também observa sugere prudência no mercado acionário pela potencial volatilidade.
“O prolongamento do conflito no Oriente Médio tem gerado efeito direto nos preços de energia e modificou o cenário de juros em 2026. Se no início do ano havia fortes expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos, tais apostas foram reduzidas e o cenário base real contempla a manutenção de juros ao longo de 2026”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, em relatório antecipado à Broadcast.
“Entretanto, já vimos uma forte correção nos yields dos títulos de dívida americana. Sendo assim, não encontramos maiores discrepâncias de precificação de mercado para o atual cenário de renda fixa nos Estados Unidos. Em perspectiva, entendemos que uma definição relacionada à questão do conflito será fundamental para o futuro desempenho dos ativos de renda fixa.”
Dessa forma, a recomendação segue neutra para Treasuries na maior parte dos vencimentos, com exceção do segmento intermediário, entre 7 e 10 anos, onde a casa está abaixo do neutro.
Em crédito privado, a posição também é neutra em bonds Investment Grade (Grau de Investimento), com preferência para os setores de comunicações e materiais básicos. Já em High Yield (ativos de remuneração acima da média), a Avenue demonstra maior otimismo com papéis de rating BB e com o setor de materiais básicos em mercados emergentes.
Em renda variável, apesar da resiliência da atividade econômica e de revisões positivas nas estimativas de lucro em setores como energia, tecnologia e financeiro nos Estados Unidos, a avaliação é de que o movimento recente de alta das bolsas exige maior prudência no curto prazo.
“Analisamos que, no curto prazo, a correção (alta da Bolsa em abril) foi expressiva, mas exige cautela por parte dos investidores que querem se expor à renda variável. Além disso, os desdobramentos do conflito no Oriente Médio seguirão como uma fonte potencial de volatilidade para o mercado acionário”, afirma Alves.
No câmbio, a Avenue observa que a recente apreciação do real ante o dólar reflete fatores como maior apetite ao risco global, fluxo de capitais e diferencial de juros favorável ao Brasil. No entanto, pondera que não houve mudanças estruturais na economia brasileira que sustentem esse movimento no longo prazo.
Alves destaca ainda que o risco político – diante da proximidade das eleições presidenciais – é uma variável que deve ser considerada pelo investidor brasileiro.