Ação da Smart Fit (SMFT3) dispara após balanço do 1T26; mercado vê TotalPass como nova alavanca da tese
Rede de academias registrou lucro líquido de R$ 203,5 milhões, equivalente a um aumento de 45% em relação a igual período do ano anterior; confira os principais números e as análises do mercado
Por volta das 13h10, a cotação de SMFT3 na Bolsa de Valores marcava uma alta de 13,09%. Com esses impactos, BTG Pactual, XP Investimentos e Citi divulgaram suas análises do resultado.
O BTG Pactual avaliou o resultado da Smart Fit no primeiro trimestre de 2026 como sólido, destacando o crescimento da receita, a expansão da rentabilidade e o avanço do TotalPass na operação da companhia. Segundo o banco, os números operacionais vieram ligeiramente acima das estimativas da casa, mesmo diante dos investimentos relacionados ao TotalPass e da abertura acelerada de novas academias.
“O trimestre reforçou nossa visão de que a companhia segue bem posicionada para manter crescimento sustentável e expansão de margens”, afirmou o analista Luiz Guanais.
A receita líquida da SmartFit avançou 25% na comparação anual, para R$ 2,1 bilhões, impulsionada pelo crescimento da base de clientes, expansão da rede e aumento do tíquete médio.
A empresa encerrou o trimestre com 5,6 milhões de clientes nas academias de ginástica próprias, excluindo o TotalPass, alta de 6% em um ano. Já o número de assinantes digitais cresceu 13%. Fora do Brasil e do México, o banco chamou atenção para o “momento robusto” das operações na América Latina.
Guanais também destacou a evolução do ecossistema do TotalPass. A plataforma terminou o trimestre com 2,1 milhões de clientes entre Brasil e México, enquanto a rede parceira ultrapassou 34 mil academias e studios no mercado brasileiro. Na avaliação dele, o TotalPass vem se consolidando como uma “alavanca estratégica” para a companhia, mesmo que a maior penetração da plataforma continue gerando dúvidas no curto prazo sobre margens e tíquete médio.
O BTG reafirmou recomendação de compra para as ações da Smart Fit, com preço-alvo de R$ 30, o que equivale a um potencial de valorização de 65% ante o fechamento de ontem.
XP destaca TotalPass
A XP Investimentos também avaliou o trimestre como “sólido”, apesar de os números consolidados terem vindo praticamente em linha com as estimativas da casa. O principal destaque positivo, segundo a corretora, ficou com a operação brasileira, especialmente o desempenho do TotalPass, que ajudou a aliviar preocupações do mercado sobre o aumento da concorrência no setor.
O lucro líquido recorrente da companhia surpreendeu positivamente, impulsionado por melhores resultados financeiros e pela consolidação da Fitmaster/TotalPass no México. A XP estima que a operação adicionou cerca de R$ 28 milhões em receita líquida, R$ 27 milhões em lucro bruto e ao menos R$ 16 milhões em lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) no trimestre.
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Na visão da analista Danniela Eiger, o avanço da receita seguiu apoiado na expansão da rede, no crescimento da base de clientes e no aumento de preços e mix. A Smart Fit abriu 354 academias nos últimos 12 meses e registrou alta de 6% na base de clientes. Além disso, o preço médio avançou 12%, beneficiado pelos reajustes, pela maior participação do TotalPass no Brasil e pela maior penetração do plano Black.
Apesar dos números consolidados em linha, a XP reiterou recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 32, o que representa potencial de valorização de 76% em relação ao fechamento de terça-feira (7).
Citi espera revisões positivas
O Citiavaliou o resultado como acima das estimativas do banco em praticamente todas as linhas. Os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein esperam revisões positivas nas estimativas de consenso e mantêm recomendação de compra para o papel.
A receita cresceu 25% na comparação anual, em linha com o consenso, impulsionada pelo segmento de Outros LatAm e pelas Outras Receitas no Brasil, que agora representam 15% do lucro bruto caixa total, ante 8% no primeiro trimestre de 2025.
A margem bruta avançou ficou acima da estimativa do Citi, com o Brasil sendo o principal responsável pela surpresa positiva: a margem brasileira atingiu 55,4%, ante projeção do banco de 49,6%. Como resultado, o lucro bruto superou em 3% tanto a estimativa do Citi quanto o consenso. O Ebitda ficou 4% acima do consenso, sustentado por despesas de vendas 9% menores do que o projetado. O lucro líquido superou em 18% tanto o Citi quanto o Visible Alpha, beneficiado pelo desempenho operacional mais forte e por despesas financeiras menores do que o esperado.
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Na frente operacional, a rede atingiu 2.113 unidades, alta anual de 20%. A base de membros no canal direto (HVLP) cresceu 6% ao ano, ligeiramente abaixo da estimativa de 8,5%, mas o banco destaca que os check-ins no TotalPass atingiram o maior nível em três anos, com volumes próximos aos patamares pré-pandemia. A rede parceira do TotalPass no Brasil chegou a 34 mil unidades, alta de 47% em um ano, e no México a 9 mil, avanço de 45%.
A dívida líquida subiu de R$ 4,098 bilhões para R$ 4,197 bilhões, mas o Citi estima geração de fluxo de caixa livre subjacente de cerca de R$ 50 milhões no trimestre – excluindo pagamentos de dividendos, juros sobre capital próprio e recompra de ações de R$ 161 milhões –, mesmo com capex de expansão de R$ 489 milhões.
O Citi acrescentou ainda um “Catalyst Watch” positivo de 90 dias para o papel, com o entendimento de que o resultado deve reduzir o risco da tese de investimento e levar investidores a focarem no múltiplo de 2027, abaixo de 9 vezes o lucro estimado – “significativamente mais barato”, nas palavras dos analistas.
O banco reforça recomendação de compra para Smart Fit, com preço-alvo de R$ 32 e potencial alta de 76% sobre o último fechamento, ou retorno total de 79,5% considerando o dividendo estimado de 3,5%.