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Mercado

Como fica a situação da T4F (SHOW3) com o fechamento do UnimedHall?

De 555 shows em 2019, a T4F realizou apenas 11 em 2020

Por Luiz Felipe Simões

01/04/2021 | 16:52 Atualização: 05/04/2021 | 8:38

UnimedHall (FOTO:Divulgação)
UnimedHall (FOTO:Divulgação)

Os setores que mais tiveram baixas com as medidas de restrição de circulação foram os de turismo e entretenimento. Festivais e shows foram cancelados para evitar aglomerações e, assim, evitar a disseminação da covid-19. Nesta quarta-feira (31), um dos principais players do segmento de eventos, a Time For Fun (SHOW3), anunciou o fechamento de uma das casas de shows mais conhecidas de São Paulo, o UnimedHall, antigo Credicard Hall.

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Segundo estimativas da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), a paralisação no ano de 2020 causou um prejuízo de R$ 90 bilhões para o setor de eventos de cultura e entretenimento. Além disso, foram perdidos mais de 335.435 empregos formais.

Por conta disso, o Senado aprovou, no dia 30 de março, um projeto de lei que cria o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). De acordo com a proposta, a iniciativa prevê o parcelamento de débitos de empresas do setor de eventos com o Fisco Federal.

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“Foi uma grande vitória. O texto evoluiu muito e está mais alinhado com os programas que já foram ou estão sendo executados pelo Governo Federal. Isso é essencial para permitir a efetividade das medidas previstas no programa”, diz Doreni Caramori Júnior, presidente da Abrape.

De acordo com a instituição, 97 em cada 100 empresas do segmento estão paradas o e cerca de um terço fecharam as portas. Com isso, mais de 350 mil eventos deixaram de ser realizados em 2020.

Para Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, com o impacto da pandemia no segmento e, consequentemente, nas ações das companhias, a atenção se volta para as expectativas de retomada. “Podemos ver sim uma performance mais sólida desse setor e uma recuperação em termos operacionais, mas tudo depende do andar da carruagem das vacinações no país”, diz.

O que esperar de T4F?

Atualmente, as ações da T4F (SHOW3) vêm registrando queda de 12,85% no acumulado de 2021, cotadas a R$ 3,46. No mês de março, a companhia divulgou seus resultados referentes ao 4T20.

Segundo a própria companhia, o ano de 2020 foi o mais desafiador da história da T4F. O número de eventos realizados pela empresa caiu em 100% comparado com o mesmo período de 2019. Com isso, as receitas do grupo reduziram drasticamente, alcançando os R$ 2,1 milhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 98% em relação ao 4T19.

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Além de encerrar as operações do contrato de aluguel do UnimedHall, a T4F devolveu também suas casas de shows em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. De acordo com Guilherme Ebaid, analista da Empiricus, é um cenário difícil para a companhia. “As casas de shows ajudavam bastante para fazer eventos menores”, diz.

Basicamente, existem dois tipos de eventos: os grandes, que normalmente são feitos em estádio, com capacidade para 40 a 50 mil pessoas, e os eventos menores, para até 8 mil pessoas, que eram feitos nas casas como o UnimedHall. “A companhia tem uma situação de dívida sobre o patrimônio líquido, no qual ainda tem caixa para queimar, por isso, ainda não é uma situação tão desesperadora. O caixa ainda supera suas dívidas”, diz Mario Goulart, analista CNPI da O2 Research.

Vale lembrar que, além de fechar as casas de show, a companhia demitiu mais de 50% dos funcionários para diminuir os custos operacionais.

Na opinião de Ebaid, com a diminuição dos custos operacionais, a companhia consegue navegar melhor na crise. “Apesar de não gerar tanta receita”, diz.

Perspectivas para o futuro

Para que a companhia volte a montar eventos, é preciso que a situação da pandemia esteja resolvida e controlada. Vale lembrar que, em 2020, a T4F, por conta das medidas de restrição, fez apenas 11 shows, contra 555 em 2019.

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Uma das apostas para a T4F está no rejuvenescimento de seu portfólio de eventos, mirando em segmentos  como música eletrônica, mundo “geek” e os e-sports.

“Talvez a companhia consiga se reinventar com os e-sports com a questão de torneios de videogame, nos quais podem cobrar pelos ingressos. A T4F terá que passar por uma reinvenção muito forte. Na minha opinião, o mercado aposta nisso”, diz Goulart.

Além destes desafios, a companhia ainda terá que lidar com sua maior rival, a Live Nation, (L1YV34) que possui uma capitalização de mercado de mais de U$$ 18 bilhões frente os R$ 234 milhões da T4F.

“Quando voltarmos a ter shows, há possibilidade de retornar com uma competição extrema, porque todo mundo vai querer fazer show, considerando que as pessoas queiram frequentar. Com isso, a disputa entre players aumentará”, diz Ebaid.

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Como a Live Nation está localizada nos EUA, Ebaid conta que a empresa tem algumas vantagens frente ao seu par nacional. Uma delas seria o acesso aos grandes artistas internacionais. “Com isso, pode fechar bons contratos, ou mesmo acordos de exclusividade, fechando as portas para a T4F, que tem que procurar outros caminhos ou outros artistas para trazer”, diz.

Por fim, a empresa americana tem uma outra vantagem na opinião de Ebaid, por estar localizada em um país no qual a crise da covid-19 está mais controlada. “Pode ter a chance de retomar seus shows e eventos antes da T4F”, conclui.

Em entrevista ao Estadão, o CEO e acionista majoritário da T4F, Fernando Altério, admite que o retorno das atividades do entretenimento de massa será “parcial e lento”. No entanto, ele acredita que a retomada do setor virá em 2022, por conta de uma demanda reprimida, já que as pessoas ficariam dois anos sem ir a eventos e querem voltar a frequentá-los.

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