O principal gatilho para o alívio nos mercados foi o desempenho do petróleo. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para abril fechou em queda de 11,9% a US$ 83,45 o barril. Já o Brent para maio cedeu 11,2% a US$ 87,80 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
O movimento de acomodação da commodity se deu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegar que a ofensiva americana foi “um sucesso” e que considera que a operação realizada no Oriente Médio deverá acabar “logo” em razão do enfraquecimento militar iraniano.
A Guarda Revolucionária do Irã, no entanto, não concordou com as declarações de Trump. “Seremos nós que decidiremos o fim da guerra”, declarou um porta-voz em comunicado publicado por vários meios de comunicação iranianos. “A equação e o status futuro da região estão agora nas mãos de nossas forças armadas. As forças americanas não vão pôr fim à guerra”, acrescentou.
Para Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o cenário ainda está longe de tranquilo nos mercados. “O Estreito de Ormuz continua sendo o grande ponto de tensão, já que cerca de 20% do petróleo mundial passa por ali. Qualquer sinal de bloqueio efetivo ainda pode provocar novas altas na commodity e trazer mais volatilidade para os mercados”, afirma.
No noticiário corporativo doméstico, destaque para o GPA (PCAR3), que recuou 2,93%, após a empresa anunciar um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. O CEO do grupo, Alexandre Santoro, afirmou que a medida mira exclusivamente dívidas financeiras sem garantia e não envolve fornecedores, aluguéis ou salários, numa tentativa de reorganizar o perfil de vencimentos sem afetar a operação das lojas.
Em Nova York, S&P 500 e Dow Jones caíram 0,21% e 0,07%, respectivamente, enquanto Nasdaq subiu 0,01%. Com o recuo do petróleo, as ações de petroleiras cederam. A Chevron (CVX) sofreu baixa de 1,66% e a ExxonMobil (XOM) recuou 1,54%.
No mercado doméstico de câmbio, o dólar hoje fechou em queda de 0,13% cotado a R$ 5,1575. Segundo João Duarte, sócio da ONE Investimentos, o movimento acompanhou o enfraquecimento global da moeda americana após a forte queda nos preços do petróleo e a percepção de que as tensões no Oriente Médio podem caminhar para uma acomodação.
“Com a queda do petróleo, os investidores voltaram a aumentar a exposição a ativos de maior risco, o que tende a favorecer moedas emergentes, como o real”, afirma Duarte.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Rumo (RAIL3), Magazine Luiza (MGLU3) e Cosan (CSAN3).
Rumo (RAIL3): 6,96%, R$ 17,05
As ações da Rumo (RAIL3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 6,96% a R$ 17,05. Como mostramos aqui, o movimento refletiu supostas tratativas para venda do ativo à Ultrapar (UGPA3). A informação foi ventilada pela Bloomberg, mas negada pelo CEO da Cosan, Marcelo Martins. Segundo ele, a companhia não tem processos de venda ou engajados para venda significativa em qualquer negócio do portfólio hoje. “São especulações para levar o ativo a uma venda por preço que não interessa à Cosan”, disse.
A RAIL3 está em alta de 6,76% no mês. No ano, acumula uma valorização de 15,51%.
Magazine Luiza (MGLU3): 6,51%, R$ 10,14
Quem também se saiu bem foi o Magazine Luiza (MGLU3), com alta de 6,51% a R$ 10,14. O recuou dos juros futuros beneficiou as ações, que são cíclicas (mais sensíveis aos ciclos econômicos).
A MGLU3 está em alta de 8,45% no mês. No ano, acumula uma valorização de 13,42%.
Cosan (CSAN3): 6,45%, R$ 6,11
Completando os destaques positivos, as ações da Cosan (CSAN3) fecharam em alta de 6,45% a R$ 6,11. A empresa reportou prejuízo líquido corporativo de R$ 5,803 bilhões no quarto trimestre de 2025, uma queda de 38% sobre o resultado também negativo do mesmo período de 2024. “A Cosan soltou um resultado muito bom, principalmente na parte de endividamento”, avalia Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
A CSAN3 está em baixa de 2,86% no mês. No ano, acumula uma valorização de 14,85%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Raízen (RAIZ4), Braskem (BRKM5) e Direcional (DIRR3).
Raízen (RAIZ4): -5,45%, R$ 0,52
As ações da Raízen (RAIZ4) sofreram a maior queda do Ibovespa hoje e despencaram 5,45% a R$ 0,52.
A RAIZ4 está em baixa de 17,46% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 35,8%.
Braskem (BRKM5): -4,47%, R$ 11,76
Os papéis da Braskem (BRKM5) também se saíram mal e cederam 4,47% a R$ 11,76. Na última semana, as ações chegaram a liderar as altas do Ibovespa, ao dispararem 30,34%.
A BRKM5 está em alta de 22,63% no mês. No ano, acumula uma valorização de 49,05%.
Direcional (DIRR3): -3,84%, R$ 14,52
Outro destaque negativo do Ibovespa hoje foi a Direcional (DIRR3), com baixa de 3,84% a R$ 14,52. A companhia apresentou lucro líquido de R$ 211,4 milhões no quarto trimestre de 2025, montante 27,7% maior do que no mesmo período de 2024. Na avaliação do Bradesco BBI, os resultados da empresa foram bons, mas ligeiramente abaixo das expectativas.
A DIRR3 está em baixa de 11,03% no mês. No ano, acumula uma valorização de 2,83%.
*Com Estadão Conteúdo