No fechamento, o Ibovespa subiu 0,32%, aos 182.509,14 pontos, após mínima de 179.914,53 pontos.
Segundo João Daronco, analista da Suno Research, a ausência de novidades relevantes sobre o conflito entre EUA e Irã tende a limitar a volatilidade. “As falas de Trump é que têm movido os mercados, colocado panos quentes em alguns momentos”, afirma.
A alta do petróleo conteve perdas de petroleiras. O Brent chegou a subir mais de 4%, impulsionando as ações da Petrobras (PETR3; PETR4), que avançaram 2,51% nos papéis ordinários e 2,69% nos preferenciais. Por outro lado, a Vale (VALE3) avançou 0,79%, enquanto bancos pressionaram o índice, com Itaú (ITUB4) caindo 0,56% e Santander (SANB11) cedendo 0,63%.
No cenário doméstico, os investidores repercutiram a ata do Copom, além de dados da arrecadação federal e os leilões do Tesouro. A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 222,117 bilhões em fevereiro. O montante ficou acima da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de R$ R$ 219 bilhões. As estimativas do mercado iam de R$ 210 bilhões a R$ 226,6 bilhões.
Conflito entre EUA, Irã e Israel domina o cenário externo
No exterior, o foco permanece na guerra no Oriente Médio, em meio a dúvidas sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã. Teerã negou qualquer diálogo e intensificou ataques, enquanto um porta-voz militar afirmou que o país lutará “até a vitória completa”. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também sinalizou a continuidade da ofensiva, mantendo a tensão elevada na região. Em paralelo, os chanceleres do Irã, Abbas Araghchi, e de Omã, Badr al-Busaidi, discutiram a situação no Estreito de Ormuz, com Omã atuando como mediador.
Segundo o Politico, Washington avalia o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, como possível interlocutor, mas o envio de tropas à região eleva o risco geopolítico, de acordo com a Eurasia. A Oxford projeta o Estreito de Ormuz intransitável até maio, enquanto a CBS cita a presença de minas na passagem. Nesse contexto, a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, alertou para inflação mais alta e mercado de trabalho mais fraco em caso de conflito prolongado.
Alta do petróleo e cautela geopolítica guiam os mercados
Os contratos futuros de petróleo subiram pós queda de aproximadamente 10% na sessão anterior, em meio às incertezas sobre as declarações de Trump. O barril de WTI para maio avançou 4,79%, a US$ 92,35, na Nymex, enquanto o Brent para junho subiu 4,49%, a US$ 100,23, na ICE.
Em Nova York, os índices fecharam em queda após os ganhos da véspera: o Dow Jones recuou 0,18%, o S&P 500 cedeu 0,37% e o Nasdaq registrou baixa de 0,84%.
Na Europa, as bolsas fecharam sem direção única, com investidores ponderando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e a veracidade de possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã. O cenário segue pressionado após Teerã negar qualquer diálogo e reforçar ataques na região, o que mantém a incerteza elevada. Dados preliminares de atividade já indicam impacto econômico, com perda de fôlego nos PMIs, enquanto analistas apontam que a guerra contribui para inflação mais alta e menor crescimento. No fechamento, Londres subiu 0,60%, Paris avançou 0,23% e Frankfurt recuou 0,06%.
Os rendimentos dos Treasuries fecharam em alta, em um dia marcado por um leilão de US$ 69 bilhões em T-notes de dois anos. O juro da T-note de dois anos subiu a 3,923%, o da T-note de dez anos avançou a 4,391% e o do T-bond de 30 anos teve alta a 4,947%.
No mercado de câmbio, o dólar subiu frente a outras moedas fortes, revertendo parte das perdas da véspera: o índice DXY avançou 0,19%, a 99,138 pontos, enquanto o euro caiu a US$ 1,1605, a libra recuou a US$ 1,3409 e o dólar subiu a 158,699 ienes.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, refletindo o alívio cauteloso observado em Wall Street após falas de Trump sobre possíveis conversas com o Irã. O Kospi, da Coreia do Sul, saltou 2,74%, o Nikkei avançou 1,43% no Japão e o Hang Seng subiu 2,79% em Hong Kong. Na China continental, o Xangai Composto ganhou 1,78% e o Shenzhen Composto avançou 2,17%, enquanto o Taiex recuou 0,34% em Taiwan. Na Oceania, o S&P/ASX 200 subiu 0,16% em Sydney.
Ata do Copom reforça incerteza sobre ritmo de cortes
A ata divulgada nesta terça-feira indicou que o conflito no Oriente Médio pode resultar em um ciclo de cortes de juros mais moderado do que o embutido no relatório Focus, embora a autoridade monetária mantenha a sinalização de início da flexibilização.
O documento mostrou que o colegiado chegou a discutir um corte de 0,50 ponto porcentual, mas optou por uma redução de 0,25 ponto, considerada “a mais adequada” naquele momento.
O Banco Central destacou que a desaceleração da atividade no fim de 2025 evidencia os efeitos da política monetária restritiva, enquanto a projeção de inflação no horizonte relevante subiu de 3,2% para 3,3%, mesmo com a alta recente do petróleo.
A autoridade monetária também alertou que seu cenário considera uma trajetória de queda do petróleo ao longo do tempo, mas que um choque mais persistente pode elevar as projeções de inflação.
Para o UBS WM, “o debate esteve concentrado no ritmo do ciclo, e não em sua necessidade imediata”. Já o Citi afirma que “a ata indicou não haver compromisso sobre o ritmo nas próximas reuniões”, reforçando a incerteza sobre a trajetória da Selic.
*Com informações do Broadcast