Recentemente, ouvi de um profissional do mercado que o investidor brasileiro está mais sofisticado porque passou a investir em ouro e criptomoedas. Mas há um erro básico nessa afirmação. Sofisticação em investimentos não é seguir modismos.
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Recentemente, ouvi de um profissional do mercado que o investidor brasileiro está mais sofisticado porque passou a investir em ouro e criptomoedas. Mas há um erro básico nessa afirmação. Sofisticação em investimentos não é seguir modismos.
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Ser um investidor sofisticado é entender os riscos associados a cada ativo, diversificar de forma consistente e investir com horizonte e disciplina. E quer mesmo ser sofisticado? Siga a tendência mais atual no mundo dos investimentos: goal based investment, ou investimento baseado em objetivos. Isso sim é sofisticação e já se mostrou muito eficiente para todos os que optam por esse caminho.
Sofisticação não é investir em ativos novos, e ouro nem é novo, mas sim compreender muito bem seus objetivos. O ouro é um ativo que exige convicções muito fortes sobre cenários geopolíticos — um dos ambientes mais difíceis de prever
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E só para provar que esses cenários são no mínimo complexos, lembro que no final de janeiro a onça do ouro chegou a USD 5.300,00 depois de 36 meses de constante alta. E nesse momento muitos aconselharam a compra. Hoje está a USD 4.500,00. Perda de quase 18% ou 5,6% ao mês.
Ouro nem gera fluxo de caixa e investir nesse ativo exige só muita convicção. O caso das criptomoedas é mais interessante. Esse é um ativo para o qual não há nenhuma base de valor, ao contrário das moedas nacionais que têm as economias por trás.
O valor das criptos está baseado em crenças, só isso. Um bom exemplo é o bitcoin. Se fizermos um gráfico do preço dessa cripto e do Google Search Trends para a palavra bitcoin veremos que eles coincidem incrivelmente.
Isso é, quanto mais se fala em bitcoin, mais o seu preço aumenta. O que isso quer dizer? Que ouvimos falar muito de um ativo e compramos. Sem nenhuma lógica por trás. Criptomoedas são ativos com forte componente especulativo, volatilidade elevada e grande assimetria de informações já que poucos efetivamente entendem os processos de criação dessas moedas.
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Então comprar criptomoedas é sofisticação? Não me parece. Da mesma forma com o ouro. O grande erro é confundir acesso com conhecimento, diversificação com dispersão aleatória e inovação com qualidade.
A enorme popularização das plataformas financeiras diversificou muito o cardápio de ativos disponíveis para os investidores, tanto ativos domésticos como no exterior. Mas não elevou o nível nutricional das decisões.
Enfim, o investidor brasileiro mudou. Mas trocar a poupança por ouro ou criptomoedas é apenas mudança. Sofisticação é outra coisa
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