Títulos do Tesouro Direto refletem juros elevados e incertezas macroeconômicas, com oportunidades na curva de médio prazo (Foto: Adobe Stock)
O Tesouro Direto reflete diretamente as expectativas do mercado em relação à política monetária. Após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado passou a reprecificar os juros futuros. Nesta quarta-feira (6), o título com maior rentabilidade é o Educa+ 2030, que paga IPCA + 7,95%.
Segundo Gustavo Assis, “a curva ainda está muito sensível à comunicação do Banco Central“, o que ajuda a explicar os movimentos recentes nas taxas dos títulos públicos. Um exemplo disso foi o comportamento dos títulos prefixados mais longos. O Prefixado 2037, por exemplo, chegou a oferecer taxas próximas de 14% ao ano.
“Esse ajuste indica que o mercado voltou a embutir um prêmio maior para o risco de inflação e para a possibilidade de juros elevados por mais tempo”, afirma. Ainda que os títulos atrelados à inflação tenham apresentado algum alívio recente, eles continuam em patamares elevados, com diversos vencimentos pagando acima de IPCA + 7% ao ano.
Os três fatores que culminam nesse resultado
De um lado, a inflação segue resistente, o que dificulta cortes mais agressivos na taxa básica de juros. De outro, o BC mantém uma postura cautelosa, sinalizando que o ciclo de flexibilização pode ser mais gradual. Soma-se a isso o ambiente externo, marcado por incertezas, especialmente os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia e as expectativas globais.
Nesse contexto, a dinâmica dos diferentes tipos de títulos também muda.
“Quando o mercado percebe que a Selic pode cair em ritmo mais lento, os prefixados tendem a sofrer mais”, explica o especialista, destacando que esses papéis dependem diretamente da leitura sobre o comportamento futuro das taxas.
Investidor precisa ser cauteloso
Para o investidor, o momento exige cautela e estratégia. Assis ressalta que “as taxas estão atrativas para quem busca carregar os títulos até o vencimento”, o que pode trazer retornos interessantes no longo prazo. Por outro lado, a volatilidade permanece relevante no curto prazo, especialmente para quem acompanha a marcação a mercado.
Tesouro Selic: pouca volatilidade
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Veja um exemplo:
Tesouro IPCA+
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,14% e 6,97%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
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No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,25% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,95% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflaçãono longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,81%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,06% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.