Por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para julho recuava 3,47%, a US$ 97,76, operando abaixo da marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde a escalada mais aguda das tensões no Oriente Médio. O WTI para junho caía 3,65%, a US$ 91,61.
É o terceiro pregão consecutivo de queda da commodity. Ao longo da madrugada, o Brent chegou a perder quase 3%, enquanto investidores seguem desmontando posições defensivas montadas durante o período de maior risco para a oferta global.
Mercado desmonta prêmio geopolítico
A correção acompanha sinais mais concretos de avanço nas negociações entre Washington e Teerã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na véspera que espera um encerramento rápido da guerra e voltou a dizer que não permitirá que o Irã desenvolva armas nucleares.
A percepção predominante no mercado é que os dois países estão mais próximos de um entendimento diplomático capaz de reduzir o risco de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
Nos últimos dias, o petróleo havia disparado justamente pela possibilidade de bloqueios na região e pela escalada militar envolvendo escoltas navais americanas, ataques iranianos e ameaças ao fluxo comercial. Com a redução dessa probabilidade imediata, parte relevante do prêmio de risco começa a ser retirada das cotações.
Queda do petróleo muda humor dos mercados
A descompressão da commodity também altera a dinâmica dos ativos globais. Com petróleo mais baixo, investidores reduzem apostas em pressões inflacionárias mais persistentes e voltam a buscar ativos de risco.
O movimento ajuda Bolsas internacionais e reduz a pressão sobre juros e dólar no exterior. Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos negociados na Bolsa de Nova York que permitem a negociação de ações estrangeiras nos Estados Unidos) da Petrobras (PETR3; PETR4) recuavam mais de 1% no pré-mercado, acompanhando a commodity.
Ainda assim, o mercado trata o cenário como instável. A leitura é que o petróleo continua extremamente dependente do noticiário político e militar, com oscilações rápidas sempre que surgem novos sinais sobre o conflito ou sobre as negociações diplomáticas.