O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) do banco foi de 15,5% nos três primeiros meses de 2026, uma alta de 263 pontos-base em 12 meses. No período, os ativos totais subiram 23%, para R$ 99 bilhões, enquanto o patrimônio líquido teve alta de 15,5%, para R$ 10,4 bilhões.
O banco encerrou o primeiro trimestre com 44 milhões de clientes, sendo quase 60% deles ativos, ou seja, que efetivamente utilizam os produtos e serviços.
O índice de eficiência, que mede o consumo das receitas pelos custos, caiu 1,7 ponto porcentual em relação ao trimestre anterior, para 43,8%. Neste caso, quanto menor o indicador, mais eficiente é a instituição.
Desde 2023, o Inter implementa um plano estratégico conhecido como “30/30/60”, com objetivo de alcançar, até 2027, RoE de 30%, eficiência de 30% e 60 milhões de clientes.
Em entrevista à Broadcast, o vice-presidente financeiro (CFO) do banco, Santiago Stel, reforçou o compromisso com as metas, apesar do ritmo um pouco mais lento da rentabilidade.
“Desde que o plano começou, já se passaram 60% dos cinco anos previstos. E estamos bem próximos de ter uma evolução de 60% das metas finais”, destacou. “Em clientes, estamos adiantados; em eficiência, estamos exatamente onde de deveríamos estar; e em RoE, estamos ligeiramente abaixo disso”, acrescentou.
Crédito
A carteira de crédito bruta do Inter fechou março com alta de 33% em base anual, a R$ 50 bilhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas linhas de consignado privado, financiamento imobiliário e cartão de crédito.
A escalada da Selic ao pico de 15% e as perspectivas de juros em dois dígitos por mais tempo impuseram pressão no cenário de crédito no País mais firme que a projetada no começo do ciclo.
Mesmo assim, o Inter optou por não alterar o perfil de risco, de acordo com Stel. O executivo explica que a oferta de produtos é favorável para clientes que buscam uma dívida mais barata. “Temos uma carteira colateralizada e bem resiliente”, disse.
No consignado privado, a carteira avançou de R$ 1,9 bilhões no fim de 2025 para R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O banco tem uma participação de mercado de cerca de 5% nessa linha e pretende avançar de maneira prudente, segundo Stel.
O setor ainda espera alguns ajustes operacionais do Dataprev, que administra o programa, como a implementação do mecanismo que usa o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia.
“À medida que esses detalhes operacionais melhorarem ainda mais, o potencial de crescimento dessa carteira vai ficar ainda mais claro”, projeta Stel. “Mas é natural que isso leve algum tempo. O produto começou há apenas 12 meses. O consignado público, por exemplo, demorou 20 anos até chegar a esse ponto”, compara.
Margem
Em meio ao avanço da carteira, a margem financeira líquida de juros ajustada ao risco atingiu 5,6% no primeiro trimestre, de 5,5% um ano antes. O custo de risco do banco ficou em 5,6%, de 4,6% 12 meses antes.
A inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,1%, comparado com 4,6% em igual período do ano anterior. A receita bruta total do banco teve alta de 37,5% no comparativo anual, para R$ 4,34 bilhões.
Em pagamentos, o volume combinado de cartões e PIX alcançou nível anualizado de R$ 1,7 trilhão, o que representa um avanço de 25% ante o período comparável de 2025.