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Colunista

Avanço na agenda doméstica pode evitar volta de ciclos viciosos dos anos 1980 e 90

Não há mais tempo a perder no País quanto ao avanço das reformas

Por Dan Kawa

18/11/2020 | 9:12 Atualização: 18/11/2020 | 9:12

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Rodrigo Maia e Paulo Guedes, durante entrevista coletiva em 11 de agosto (Gabriela Biló/ Estadão Conteúdo)
Rodrigo Maia e Paulo Guedes, durante entrevista coletiva em 11 de agosto (Gabriela Biló/ Estadão Conteúdo)

As últimas semanas foram de intensa movimentação no cenário internacional, mas, infelizmente, de poucos avanços na agenda doméstica. Com as eleições municipais agendadas para a segunda quinzena do mês de novembro no Brasil, essa “apatia” política no tocante a agenda de reformas já era, de certa forma, esperada.

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Conforme tenho alertado neste espaço nos últimos meses, o Brasil não tem mais tempo para adiar decisões difíceis e impopulares e qual caminho tomará de agora em diante.

Estamos caminhando para uma razão de quase 100% de dívida em relação ao PIB, o que é considerado elevado e excessivo, em qualquer métrica econômica, além de extremamente perigoso para países em desenvolvimento como o Brasil.

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As ações tomadas pelo governo no auge da pandemia eram essenciais e necessárias. Todavia, o País não suporta tornar gastos transitórios em permanentes. O debate em torno deste tema foi sendo adiado devido às possíveis implicações políticas e eleitorais. Agora, não há mais tempo a perder.

Ao que tudo indica, “o mercado” não dará mais o benefício da dúvida ao País. A taxa de câmbio depreciada e a curva de juros bastante inclinada positivamente, com os vértices longos em torno de 8%, contra uma Taxa Selic de 2%, mostram um cenário de fragilidade e impaciência por parte do mercado.

A alta recente do Ibovespa está sendo mascarada por algum fluxo de investimentos estrangeiros em setores específicos, em um movimento muito mais global – passadas as eleições americanas – do que por questões locais.

Em um ambiente econômico ainda desafiador, as próximas semanas serão fundamentais para entendermos a opção que o Executivo e o Legislativo irão optar para o País. Economicamente, a história já mostrou que não existe espaço para aventuras e heterodoxia.

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Gastar mais hoje, implica em mais inflação, juros estruturalmente mais elevados, menos crescimento e mais desemprego à frente. Não queremos voltar aos ciclos viciosos dos anos 80 e 90 no País.

As eleições municipais chegam a um desfecho no primeiro turno, com algumas conclusões que já podemos fazer. A sociedade deixou os extremos de lado. Podemos dizer, por ora, que as eleições foram uma vitória do centro (ou daqueles que caminharam mais ao centro).

O PT parece ter perdido sua liderança na esquerda para partidos, como o Psol, que buscaram caminhar mais ao centro. O mesmo vale para partidos como PSDB e DEM, que mostraram bom desempenho neste primeiro turno.

Os candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro mostraram fraco desempenho, em um sinal de alerta para a extrema-direita.

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Candidatos com ampla experiência política voltaram à cena, com o que ficou conhecido como “velha política” (sem cunho pejorativo aqui) reconquistando espaços relevantes em várias regiões.

As eleições municipais costumam ser muito influenciadas por questões locais. Ainda temos um longo caminho até as eleições gerais em 2022, mas ficaram alguns ensinamentos deste evento.

Para a agenda de reformas, parece que o legislativo, ainda sob a tutela de Rodrigo Maia, sai fortalecido e com o Centro ainda mais cacifado. O País, mais do que nunca, precisará de articulação para o avanço da agenda de reformas e para não cairmos em armadilhas.

No cenário internacional, as eleições americanas caminham para uma maioria Republicana no Senado e uma maioria Democrata na Câmara em uma presidência de Joe Biden. Este é o cenário base, hoje, mas que pode ser alterado no tempo.

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O atual presidente Donald Trump tem o direito legal para pedir recontagem de votos nos Estados em que perdeu por margem inferior a 1% de votos e esse processo pode levar algumas semanas.

Por ora, a leitura do mercado é que este pano de fundo tende a trazer mais previsibilidade em torno dos principais temas econômicos e geopolíticos que envolvem os Estados Unidos.

Na minha opinião, o risco fica apenas para um Congresso mais letárgico, que tende a ter atuação mais reativa do que proativa em temas como o pacote fiscal, por exemplo.

A pandemia ainda avança a passos largos na Europa e nos EUA. No velho continente, medidas mais agressivas de contenção e prevenção já foram adotadas, com claros sinais de eficiência nos últimos dias. Países que adotaram medidas mais cedo já veem uma expressiva redução no número de novos casos de infectados.

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Nos EUA, com medidas mais pontuais e localizadas, o ritmo de contaminação ainda é alto e preocupante.

De qualquer forma, as notícias de que as vacinas que estão em fase final de testes apresentam resultados preliminares positivos e animadores têm dado esperança à sociedade e aos mercados de que poderemos voltar à vida normal ainda no primeiro semestre de 2021.

Não à toa a combinação de um quadro técnico mais saudável; uma sazonalidade mais positiva; a definição do quadro político americano; a expectativa de uma vacina no curto-prazo; e a consequente esperança de normalização econômica em 2021 está dando suporte aos ativos de risco nesta primeira metade do mês de novembro.

Os desafios de curto-prazo não podem ser minimizados. Entretanto, existem fatos que nos levam a vislumbrar um cenário mais construtivo ao longo de 2021, seja economicamente ou em termos de dinâmica para os ativos financeiros.

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Para que possamos seguir na rota do desenvolvimento, medidas difíceis e muitas vezes impopulares precisarão ser tomadas.

São momentos como esse que definem a direção de um país e, muitas vezes, do mundo.

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