O bitcoin é a maior criptomoeda em valor de mercado (Foto: Adobe Stock)
A recuperação parcial do bitcoin(BTC) nas últimas horas não foram suficientes para aliviar a pressão sobre a principal criptomoeda do mercado. Segundo dados da CoinMarketCap, o ativo digital avança 0,59% na manhã desta terça-feira (3), sendo negociado em torno dos US$ 78 mil. O desempenho tímido reflete o clima de aversão ao risco dos investidores que buscam ativos considerados de proteção, como o ouro e a prata, diante das incertezas macroeconômicas e do aumento das tensões geopolíticas.
O movimento ganhou reforço com a recente nomeação de Kevin Warsh como o próximo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), responsável por levar o BTC a uma queda próxima de 40% em relação à sua máxima histórica, alcançada em outubro do ano passado. A escolha imediatamente deixou os investidores em ativos digitais apreensivos em função da passagem de Warsh no Fed, período em que defendeu a manutenção de taxas de juros elevadas.
A combinação desses eventos resultou na saída líquida de US$ 1 bilhão dos ETFs (Exchange Traded Fund, fundo atrelado a uma carteira de ativos que busca um retorno semelhante a um índice de referência) de bitcoin à vista apenas em janeiro, segundo a SosoValue, plataforma de dados de cripto. Já nos últimos três meses, a retirada chega a US$ 5,6 bilhões. O resgate em massa ajudou na depreciação de 10,25% no acumulado do ano.
“Quando olhamos para o comportamento desses investidores, eles indicam que vai ter mais queda pela frente, como vem acontecendo desde a faixa dos 120 mil dólares que esse investidor tem vendido e não tem parado ainda”, André Franco, CEO da Boost Research.
Por isso, as chances do BTC ser negociado abaixo dos US$ 70 mil não são desprezíveis. Isso porque, caso a pressão macroeconômica persista, seja por juros mais elevados ou por novas saídas de capital de ativos de risco, o bitcoin não terá fôlego para sustentar o seu atual patamar de preço e retomar novas faixas.
Ainda assim, Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, argumenta que o movimento representa mais um ajuste técnico dentro de um ciclo de baixa do que uma mudança estrutural nos fundamentos da criptomoeda.
“O risco de o bitcoin romper momentaneamente os US$ 70 mil existe e não deve ser ignorado, mas isso não necessariamente caracteriza um movimento prolongado ou o início de uma tendência de baixa mais profunda”, acrescenta Prado.