XP vê queda recente da Embraer (EMBR3) como exagerada e aponta oportunidade de compra mesmo com cenário global desafiador (Foto: Adobe Stock)
A recente queda de 27% das ações da Embraer(EMBJ3), pressionadas pelo aumento das tensões geopolíticas e pela disparada no custo do combustível, pode ter ido longe demais. Para a XP Investimentos, o mercado exagerou na precificação dos riscos e abriu uma oportunidade de compra. Essa visão ganha reforço com novos pedidos de aeronaves e projeções mais otimistas para os resultados da fabricante brasileira.
A XP elevou a indicação de ‘neutra’ para ‘compra’ e estabeleceu preço-alvo de R$ 92 por ação até o fim de 2026. Segundo o relatório, o mercado reagiu de forma mais intensa do que o justificável ao aumento das tensões geopolíticas, especialmente ao conflito entre EUA e Irã, que pressionou os preços do petróleo e, consequentemente, do querosene de aviação.
“Acreditamos que o recente de-rating [desvalorização] de valuation [valor do ativo] da Embraer foi excessivo, abrindo um ponto de entrada atrativo”, afirma a XP.
A avaliação é de que, embora o cenário macroeconômico tenha se tornado mais incerto, o impacto desses choques tende a ser temporário, como já observado em episódios semelhantes.
O mau humor do mercado com o setor aéreo
Esse pano de fundo ajuda a explicar o mau humor recente com o setor aéreo. O encarecimento do combustível levanta dúvidas sobre custos das companhias aéreas, demanda e visibilidade da carteira de pedidos. Ainda assim, o relatório pondera que esses fatores costumam atuar mais como sinalizadores de risco macro do que como determinantes estruturais do desempenho das ações no longo prazo.
Apesar desse cenário desafiador, novos contratos seguem reforçando a visibilidade operacional da companhia. A companhia aérea Finnair anunciou um acordo para adquirir até 46 aeronaves E195-E2 da Embraer, sendo 18 pedidos firmes, além de opções e direitos de compra. As entregas estão previstas para começar no segundo semestre de 2027, e o contrato deve ser incorporado à carteira de pedidos já em 2026.
Na avaliação do Itaú BBA, a notícia é positiva e reforça o avanço do programa E2, além de servir como mais um endosso relevante à plataforma da fabricante brasileira. O banco destaca que pedidos incrementais como esse ajudam a melhorar o momento das ações no curto prazo, especialmente em um ambiente em que investidores ainda demonstram cautela diante dos riscos geopolíticos.
Além disso, o novo acordo contribui para sustentar um fluxo de notícias construtivo e reforça a confiança no pipeline (oportunidades em negociação) comercial da companhia. Pelas estimativas do banco, o contrato pode adicionar cerca de US$ 625 milhões ao backlog (entregas futuras) da Embraer, valor relevante, ainda que proporcionalmente pequeno frente à carteira total de US$ 31,6 bilhões reportada no fim de 2025.
Nesse cenário, a XP destaca que os múltiplos atuais já embutem uma visão mais pessimista. A Embraer negocia entre 16 e 20 vezes o lucro projetado para 2026 e 2027. Patamar que, segundo a casa, já não parece tão exigente, especialmente diante de um perfil de crescimento mais previsível e menos arriscado.
Um dos principais pilares da tese é a evolução da carteira de pedidos da companhia. Nos últimos anos, a Embraer fortaleceu e diversificou seu backlog, reduzindo a dependência de ciclos mais voláteis da aviação comercial. Atualmente, os pedidos firmes já cobrem cerca de 120% das estimativas de receita desse segmento até 2029.
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“Diversos fatores mitigadores parecem estar sendo subestimados”, diz a XP. Entre eles, o peso crescente de outras divisões (como aviação executiva e defesa) na geração de caixa futura, contribuindo para um mix de resultados mais equilibrado.
XP é mais otimista que o mercado
Além disso, a casa trabalha com projeções ligeiramente mais otimistas do que o consenso de mercado. Para 2026, estima um lucro antes de juros e impostos (Ebit) de US$ 818 milhões, cerca de 4% acima das expectativas médias, incorporando tanto os resultados recentes quanto o guidance da companhia. Parte desse otimismo decorre de premissas operacionais mais robustas, como um nível estruturalmente maior de produção: cerca de 110 aeronaves por ano na aviação comercial e 200 jatos anuais no segmento executivo.
Outro ponto que reforça a tese positiva é a avaliação relativa. Mesmo após a queda, a Embraer negocia com desconto de aproximadamente 17% em relação a um grupo de pares globais do setor aeroespacial. Diferença que, para a XP, não se justifica pelos fundamentos atuais da companhia.
“Com a Embraer negociando atualmente com desconto em relação aos pares, entendemos que isso reforça ainda mais a atratividade relativa da ação dentro do setor”, afirma a casa.
No curto prazo, a XP reconhece que o desempenho pode seguir pressionado, sobretudo enquanto persistirem as incertezas geopolíticas e os preços elevados do combustível. Ainda assim, a avaliação é de que o mercado já precificou um cenário adverso além do necessário e que, à medida que o ambiente se normalizar, o papel tende a capturar essa reprecificação positiva.
Na leitura do Itaú BBA existe potencial de valorização relevante para a Embraer. Com preço-alvo de US$ 75 para o fim de 2026, o banco vê upside (potencial de valorização do ativo) superior a 30% em relação aos níveis atuais.