O arranjo prevê a criação de uma nova empresa, a NewCo, que concentrará os ativos de oncologia da Oncoclínicas, rede especializada no tratamento do câncer. Fleury e Porto, segundo o termo, fazem um aporte conjunto de R$ 500 milhões e passam a controlar essa estrutura por meio de uma holding. A Oncoclínicas contribuiria com clínicas, operações e um conjunto de passivos que pode chegar a R$ 2,5 bilhões, incluindo dívidas financeiras, parcelamentos tributários e obrigações com fornecedores.
A estrutura inclui a emissão de debêntures conversíveis, títulos de dívida que podem ser transformados em ações, com remuneração equivalente a 110% do CDI e prazo de até 48 meses. A conversão pode ocorrer a partir do 36º mês ou em um evento de liquidez, como uma eventual venda ou abertura de capital da nova companhia. A Oncoclínicas poderá subscrever até 30% desses papéis, ou seja, terá o direito de comprar uma fatia dessas debêntures conversíveis, mantendo participação financeira na nova estrutura e a possibilidade de voltar a se tornar acionista relevante no futuro, caso esses títulos sejam convertidos em ações.
O posicionamento das três companhias seria redesenhado com a etapa final do acordo. O Fleury avança em um segmento mais complexo e de maior valor agregado dentro da saúde. A Oncoclínicas ganha uma alternativa para reorganizar sua estrutura financeira e acomodar parte do endividamento. A Porto, por sua vez, aprofunda a estratégia de diversificação e amplia a presença em serviços médicos.
Ainda assim, há pontos de atenção, como a necessidade de renegociar contratos com operadoras e incertezas sobre o volume de lucro antes da amortização, juros e impostos (Ebitda, na sigla em inglês) que será transferido para a nova estrutura.
Os analistas veem coerência estratégica, mas mantêm cautela na execução. O Citi afirma que “a entrada do Fleury em uma parceria com Oncoclínicas e Porto sinaliza uma possível expansão relevante no segmento de oncologia, considerado estratégico e de maior valor agregado”, e destaca a “geração consistente de caixa e elevada distribuição de dividendos”, mantendo visão positiva. O banco trabalha com preço-alvo de R$ 16,00 para Fleury em 12 meses, com retorno potencial de 17,4% e dividend yield estimado em 10,1%.
Já o Itaú BBA avalia que a iniciativa é “estrategicamente coerente com o plano da empresa de avançar em segmentos de maior complexidade”, mas ressalta que “o sucesso da transação dependerá da execução”, citando riscos como ajustes na estrutura e dependência de alinhamento entre as partes.
Por volta das 14h (de Brasília), Oncoclínicas (ONCO3) saltava 40,38%, a R$ 2,19, e liderava com folga os ganhos do pregão. Fleury (FLRY3) avançava 3,29%, a R$ 15,40, enquanto Porto Seguro (PSSA3) subia 3,62%, a R$ 49,17, em meio à leitura de potencial destravamento de valor, sobretudo para a Oncoclínicas.