Publicidade
CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Segundo o JP, “o nome dominou as reuniões”, com diversos investidores reportando posições relevantes, em alguns casos entre 5% e 10% dos portfólios. A escolha reflete uma estratégia de exposição ao setor em um momento em que já menor percepção de upside (potencial de valorização de um ativo) em nomes tradicionalmente centrais, como Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11).
O principal argumento por trás desse movimento é valuation (valor do ativo). “Investidores citaram repetidamente o Nubank (NU), negociando a cerca de 12 a 13 vezes o P/L estimado para 2027, como um ponto de entrada atrativo”, destaca. O próprio JPMorgan concorda com essa leitura afirmando que o preço já embute um cenário mais cauteloso tanto para os Estados Unidos quanto para a qualidade de ativos.
Publicidade
Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos
Além disso, o banco vê assimetria positiva no papel, com potencial de crescimento de lucro por ação impulsionado por menor carga tributária em 2026 e retorno da alavancagem operacional em 2027, projetando um crescimento anual composto (CAGR) de 41% entre 2025 e 2027.
Apesar do otimismo, as discussões com investidores mostram que nem tudo é consenso. Questões como a recente underperformance (desempenho abaixo do esperado) da ação, qualidade de crédito e, principalmente, os próximos vetores de crescimento seguem no radar. Mesmo entre investidores posicionados, há dúvidas sobre “quais são os próximos vetores de crescimento?”, especialmente fora do core de cartões e crédito pessoal.
Ainda assim, chama atenção a diferença de percepção entre investidores locais e estrangeiros. Enquanto fora do País há maior preocupação com o ciclo de crédito, no Brasil o tom é mais tranquilo. Muitos investidores classificam tendências recentes de inadimplência como “tranquilizador” e veem iniciativas como o Desenrola mais como medida política do que sinal de deterioração estrutural.
Do outro lado do espectro, o Banco do Brasil (BBAS3) aparece como o principal underweight (posição abaixo da média). O relatório afirma que o banco concentrou “as discussões mais negativas” entre os grandes nomes do setor, com crescente preocupação em relação aos lucros de 2026 e 2027.
Entre os pontos de atenção estão capital e buffers (colchões) futuros, possíveis revisões de guidance (projeção) e a baixa visibilidade sobre a trajetória de melhora. Embora o JPMorgan veja algum alívio de curto prazo via fatores regulatórios, destaca que o crescimento recente de ativos fiscais diferidos (DTA) pode representar risco para capital e geração de resultado no futuro.
Além disso, há ceticismo relevante em relação às projeções.
“A maioria dos investidores locais já projeta algo entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões para o 1T26, próximo ao piso do guidance para o ano cheio”, afirma o banco, com estimativas frequentemente abaixo do guidance oficial.
A instituição também lembra que, em 2025, o BB revisou suas projeções diversas vezes, o que ainda impacta a confiança dos investidores.
Apesar de alguns sinais de melhora em garantias e processos de recuperação, o cenário para o agronegócio, relevante para o banco, segue desafiador, com riscos climáticos, custos elevados e pressões macroeconômicas. O JPMorgan projeta uma recuperação de lucros próxima de 50% apenas em 2027, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) ao redor de 15%, mas ressalta que muitos investidores trabalham com um cenário ainda difícil mesmo nesse horizonte.
Publicidade
Entre os demais bancos, o quadro é mais difuso. No caso de Itaú e BTG, a percepção geral é de ativos de qualidade, mas com valuation pouco atrativo. “Pouco espaço para aumento de exposição” foi a leitura para o BTG, enquanto o Itaú mantém apelo como história de carrego – com dividend yield (rendimento do dividendo) de cerca de 7% e crescimento de lucro próximo a 10% ao ano – sendo visto como uma forma de exposição ao Brasil com menor volatilidade.
Já o Bradesco apresenta uma melhora marginal de percepção, especialmente em São Paulo, ainda que longe de consenso. Parte dos investidores enxerga valor relativo no papel, seja pelo desconto frente ao Itaú, seja por tendências operacionais mais favoráveis do que outros bancos descontados.
Invista em informação
As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador