Bradesco (BBDC4) registra crescimento na margem financeira e alcança ROAE de 15,8% no primeiro trimestre de 2026, sinalizando evolução na gestão de risco e carteira de crédito. (Imagem: Adobe Stock)
O lucro líquido recorrente do Bradesco no primeiro trimestre veio em linha com a expectativa do mercado. A projeção era de um ganho de R$ 6,685 bilhões no período, de acordo com a média das projeções das sete casas consultadas (Safra, Citi, Itaú BBA, BTG Pactual, Bank of America, XP e Goldman Sachs) pelas Prévias Broadcast.
As Prévias Broadcast consideram em linha resultados que variam em até 5% para baixo ou para acima em relação à média das estimativas.
A margem financeira bruta atingiu R$ 20 bilhões no trimestre, avanço anual de 16,4%. A margem com clientes somou R$ 19,5 bilhões, alta de 16,3%.
A margem com mercado foi de R$ 553 milhões no período, alta de 19,7% na comparação anual. A margem financeira líquida totalizou R$ 10,3 bilhões no primeiro trimestre, alta de 8,3% em base anual.
“A margem financeira cresceu significativamente no trimestre. Nossa margem com mercado apresentou desempenho positivo em cenário macro desafiador, revelando boa gestão de risco”, ressalta o banco no balanço.
“Nossa margem com clientes cresceu na comparação com o trimestre anterior, apesar do efeito calendário (menos dias), refletindo aumento do volume de crédito e spread.”
Inadimplência (90 dias) fica em 4,2% no 1T26, ante 4,1% no 1TI25
A inadimplência da carteira de crédito do Bradesco ficou em 4,2% no primeiro trimestre de 2026, pelo critério de atrasos acima de 90 dias. O indicador subiu 0,1 ponto porcentual tanto em relação a igual período do ano passado quanto na comparação trimestral.
No segmento de pessoa física, o índice foi de 5,4%, estável frente ao trimestre anterior e 0,3 ponto porcentual acima de um ano antes. Na carteira de grandes empresas, a inadimplência foi de 0,2%, frente a 0,3% em igual trimestre de 2025 e também nos últimos três meses do ano passado, sempre considerando atrasos acima de 90 dias.
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Entre micro, pequenas e médias empresas, o mesmo indicador ficou em 4,0% no intervalo de janeiro a março, comparado com 3,8% no quarto trimestre de 2025 e 4,3% em março do ano passado. Com a aplicação das regras do IFRS 9, o banco classifica a carteira entre os estágios 1, 2 e 3, sendo que o estágio 3 reúne as operações com problemas de recuperação de crédito. Essa fatia encerrou o trimestre em R$ 57,4 bilhões, equivalente a 7,1% da carteira, ante 8% um ano antes.
O índice de cobertura sobre a provisão para perda esperada ficou em 161% no primeiro trimestre, ante 183,1% em igual período do ano passado, considerando atrasos acima de 90 dias.
Carteira de crédito expandida fecha 1T26 em R$ 1,09 tri, alta de 8,4% em um ano
A carteira de crédito ampliada do Bradescoc fechou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 1,090 trilhão, alta de 8,4% em doze meses e de 0,1% frente ao quarto trimestre, conforme balanço divulgado nesta quarta-feira. O destaque foi o avanço, no ano e no trimestre, em linhas da pessoa física, enquanto a carteira corporativa recuou no comparativo trimestral.
As operações para pessoas físicas cresceram 9,5% em doze meses e 1,6% no trimestre, encerrando março em R$ 474 bilhões. O consignado fechou o período com carteira de R$ 107 bilhões, alta de 8,3% no ano. A carteira com cartões de crédito subiu 10,6% em base anual, mas caiu 0,9% na trimestral, para R$ 82,8 bilhões, enquanto o crédito pessoal atingiu R$ 71 bilhões, alta de 4,1% em doze meses e de 0,1% na comparação trimestral.
Cartão foi a única carteira a recuar na pessoa física no trimestre. A carteira expandida de pessoa jurídica encerrou o trimestre em R$ 615,9 bilhões, alta anual de 7,6%, mas queda trimestral de 1,1%.
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No segmento de pequenas e médias empresas, houve aumento de 14,4% em doze meses nas concessões, mas recuo de 2,3% no trimestre. Já as concessões para grandes empresas cresceram menos, com alta de 3,3% em doze meses e queda de 0,2% no trimestre. A carteira imobiliária da pessoa jurídica somou R$ 34,7 bilhões, alta de 15,7% em base anual.
Considerando os financiamentos imobiliários de pessoa física, o banco encerrou o primeiro trimestre com carteira de R$ 113 bilhões, alta de 5,7% em doze meses e de 0,7% frente ao trimestre anterior.
Na carteira de crédito do Bradesco, a participação do crédito com garantia, que tem menos risco, subiu para 60,8% no primeiro trimestre de 2026, ante 57% um ano antes.
“Nosso apetite ao risco continua moderado, com viés para mais conservador, em função do acompanhamento dos indicadores de mercado sobre inadimplência, que apresentaram certa degradação, em particular no agronegócio”, destaca o banco no balanço do 1T26 do Bradesco.
CEO do Bradesco: 2026 começou em ritmo acelerado, mas macro piorou
O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, disse que o banco avançou com cautela nesse começo de 2026, ano que começou acelerado para a casa, mas que teve mudanças no ambiente. “O cenário macro piorou, vimos guerra, e ainda assim gerimos bem os riscos, preservamos a qualidade dos nossos ativos, reforçamos o nosso balanço, aproveitamos as oportunidades que apareceram e aumentamos a nossa rentabilidade”, disse em nota à imprensa.
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Ainda segundo Noronha, o Bradesco está “ganhando produtividade” e “aumentando as receitas de forma diversificada”. “Hoje, fazemos mais com menos. Estamos investindo muito em tecnologia, em pessoas, na nossa transformação. Essa agenda veio para ficar e a tendência é que a nossa produtividade continue a evoluir”, disse.
O presidente destacou que o banco começou 2026 destravando valor, com a criação da BradSaúde, que reúne as operações de saúde do banco após uma fusão com a Odontoprev. “A BradSaúde nasceu, é realidade, um passo histórico para a organização. Seu potencial em saúde é incrível”, ressalta.
Noronha também disse que o banco continua “um passo à frente” do cronograma de transformação, que ele lançou ao tomar posso no comando do Bradesco. “Começamos o ano em ritmo acelerado. Estamos otimistas, mas com cautela. Controlamos despesas operacionais. Gastos com pessoal e administrativo cresceram abaixo da inflação.”
“Esse é um ano superimportante para a nossa transformação. Mais clientes estão recebendo upgrade, sua experiência está melhorando. Estamos no caminho certo. O time está engajado”, acrescentou o executivo, ressaltando que o Bradesco “não abrirá mão de investimentos em tecnologia”