O movimento também acompanhava a performance do dólar no mercado global. Por volta das 9h (de Brasília), o DYX, que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes, recuava 0,16%, a 97,87 pontos.
Ontem, o governo do presidente americano, Donald Trump, disse que aguarda resposta do Irã em até 48 horas sobre um acordo de paz e fontes indicam que este é o momento mais próximo de um desfecho ao conflito no Oriente Médio até agora.
O presidente dos EUA anunciou também uma pausa temporária na operação de escolta no Estreito de Ormuz após “grande progresso” nas conversas e pressão da alta de 50% da gasolina na América do Norte. Caso o acordo não seja alcançado, o republicano afirmou que os ataques contra o país retornarão e com uma intensidade “muito maior do que antes”.
Os investidores americanos aguardam ainda dados econômicos, incluindo os pedidos de auxílio-desemprego, além de comentários de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e o balanço do McDonald’s.
No Brasil, a atenção recai investidores acompanham de perto o encontro entre Lula e Trump, em Washington, que deve abordar tarifas, minerais raros, energia, petróleo, regulação de big techs e cooperação no combate ao crime organizado.
O mercado também monitora o risco diplomático envolvendo a possibilidade de facções brasileiras serem classificadas pelos EUA como organizações terroristas. A agenda doméstica inclui ainda dados da produção industrial e balança comercial.
Na sessão de ontem, o dólar deslocou do movimento global e fechou com alta de 0,18% em comparação ao real, a R$ 4,9207. Os ganhos refletem a realização de lucro dos mercados e com o leilão de swap cambial reverso do Banco Central (BC) – operação de compra de dólar no mercado futuro para conter a queda da moeda.
Vale investir em dólar?
A queda na cotação, embora ainda reflita um cenário incerto, abre espaço para os brasileiros ampliarem sua exposição ao dólar a um preço mais acessível em comparação aos últimos meses. Esse movimento ganha mais relevância diante da relação risco e retorno que os ativos dolarizados podem oferecer ao portfólio.
Os títulos soberanos dos Estados Unidos, por exemplo, continuam oferecendo aos investidores retornos acima de 3% em dólar. Segundo especialistas, a rentabilidade, aliada à segurança da economia americana, atua como proteção ao chamado “risco Brasil”, que pode voltar a pressionar o câmbio nos próximos meses com a proximidade das eleições presidenciais.
Além disso, os efeitos da guerra ajudaram o dólar a se manter abaixo das projeções do mercado no curto prazo. Segundo dados do Boletim Focus, os bancos e corretoras estimam um câmbio de R$ 5,25 até o fim do ano.
“Olhando para o histórico, este seria um momento favorável. Mas o foco deve ser em manter uma parcela no exterior e enviar recursos de forma recorrente, independentemente da cotação do dólar”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
*Com informações da Broadcast