Imposto de Renda 2026: live do E-Investidor esclarece dúvidas sobre declaração, malha fina, dividendos e bets
Samir Choaib explicou os principais erros na declaração, mudanças previstas para os próximos anos e pontos de atenção para investidores e contribuintes de alta renda
Samir Choaib tira dúvidas sobre IR 2026. Foto: Divulgação/E-Investidor
Com o prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 entrando na reta final, o E-Investidor promoveu, nesta quinta-feira (7), uma live para esclarecer dúvidas de contribuintes sobre malha fina, deduções, investimentos, bets e as mudanças previstas para os próximos anos no sistema tributário brasileiro.
“A Receita recebe informações de cartão de crédito, compra e venda de imóveis, dividendos e aplicações financeiras. Os cruzamentos hoje são muito maiores”, afirmou.
Choaib ressaltou que a declaração pré-preenchida, embora facilite o processo, não deve ser enviada sem revisão. Segundo ele, o documento funciona apenas como um “guia” para o contribuinte, já que nem todas as informações chegam corretamente à base da Receita.
“Essa declaração não é 100% confiável. A responsabilidade final continua sendo do contribuinte”, disse.
Erros mais comuns ao declarar
Entre os erros mais comuns que levam contribuintes à malha fina, o tributarista citou omissão de rendimentos, inconsistências em despesas médicas e falhas envolvendo dependentes. Segundo ele, muitos contribuintes incluem filhos ou cônjuges na declaração, mas esquecem de informar os rendimentos dessas pessoas.
“Se eu tenho um dependente na declaração, obrigatoriamente preciso incluir todos os rendimentos e bens dele”, explicou.
Outro ponto abordado foi a possibilidade de retificação da declaração. Choaib afirmou que o contribuinte pode corrigir informações mesmo após o envio do documento, desde que ainda não exista procedimento formal de fiscalização.
“Eu posso retificar a mesma declaração duas, três, quatro vezes. Não tem problema nenhum. O importante é deixá-la correta”, afirmou.
Investimentos, bets e as principais despesas dedutíveis
Durante a live, o advogado também detalhou as principais despesas dedutíveis permitidas pela Receita Federal. A previdência privada do tipo PGBL também entrou na discussão. Choaib relembrou que a modalidade permite dedução de até 12% da renda tributável anual, mas exige planejamento para evitar perda do benefício fiscal.
No campo dos investimentos, a conversa passou por renda fixa, Bolsa de Valores e ativos no exterior. O advogado lembrou que operações em ações exigem controle mensal de ganhos e prejuízos, com tributação de 15% sobre operações comuns e 20% em day trade.
As novas regras envolvendo apostas esportivas também fizeram parte da discussão. O advogado explicou que ganhos líquidos acima de R$ 28,5 mil em bets passam a ser tributados em 15%, exigindo controle detalhado das operações.
“O próprio contribuinte vai ter que controlar esses ganhos e informar corretamente”, disse.
Outro tema abordado foi a tributação sobre ganho de capital na venda de imóveis. Choaib lembrou que reformas e benfeitorias podem elevar o custo do imóvel declarado e reduzir o imposto devido na venda, desde que os comprovantes sejam mantidos.
O advogado destacou ainda a regra que permite isenção do IR sobre ganho de capital para quem utiliza o valor da venda de um imóvel residencial na compra de outro em até 180 dias.
Novidades para os próximos anos
Ao final da live, Choaib comentou as mudanças previstas para os próximos anos, incluindo a nova faixa de isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, válida apenas para os rendimentos de 2026 e refletida na declaração entregue em 2027.
Ele afirmou, porém, que as alterações mais relevantes devem atingir contribuintes de alta renda, sobretudo após a criação da tributação mínima sobre dividendos e mudanças em investimentos exclusivos e aplicações no exterior.
“A expectativa é de uma declaração muito mais complexa no próximo ano”, afirmou.