Santander Asset Management projeta continuidade na flexibilização da Selic e mantém otimismo com ativos domésticos. (Imagem: Adobe Stock)
Mesmo diante da volatilidade trazida pela continuidade do conflito no Oriente Médio e de um cenário doméstico desafiador, a Santander Asset Management Brasil (SAM) segue com visão construtiva para a maior parte dos ativos domésticos, com a combinação de apostas na queda dos juros nominais e reais e na valorização do câmbio e da bolsa – o chamado “kit Brasil“.
Em sua carta mensal de maio, publicada hoje, a Asset informa que mantém a perspectiva de continuidade do ciclo de flexibilização da Selic (taxa básica de juros), que deve terminar 2026 em 13,25%. A extensão do ajuste, porém, depende da evolução do quadro geopolítico global e, especialmente, de seus reflexos sobre a conjuntura interna, diz a instituição.
Para a SAM, os principais vetores altistas da inflação devem voltar gradualmente à normalidade. “As expectativas, apesar de mais pressionadas no curto prazo, permanecem relativamente estáveis para prazos mais longos”, aponta a equipe de gestão da instituição.
No campo da atividade, a gestora avalia que haverá um reequilíbrio também gradual entre oferta e demanda e, “não menos importante, a taxa de câmbio mantém apreciação relativamente aos pares, a despeito das turbulências.”
No mercado de renda fixa, a percepção é de que as curvas de juros precificam um número limitado de cortes no juro básico, em meio a pressões inflacionárias localizadas e uma atividade ainda resiliente. Nesse contexto, a Santander Asset diz que mantém visão positiva para o mercado de juros local, com preferência por ativos prefixados, ainda que o setor externo permaneça marcado por incertezas.
Na renda variável, o viés é favorável para bolsas globais e também para a brasileira, a despeito de performance negativa do Ibovespa na segunda quinzena de abril. A gestora de recursos do Santander espera que uma acomodação gradual dos riscos geopolíticos ao longo do segundo trimestre e a continuidade do ciclo de cortes de juros no Brasil devem favorecer o desempenho das ações.
Por fim, no câmbio, a instituição informa que adotou viés igualmente otimista, uma vez que o real tem mostrado comportamento resiliente ao longo do ano, mesmo diante de um ambiente global de elevada volatilidade. O fluxo estrangeiro para os ativos locais, combinado à manutenção de um diferencial de juros elevado entre Brasil e EUA, segue dando suporte ao desempenho da moeda, aponta a SAM, que menciona, também, a permanência do petróleo em níveis altos como outro fator que ajuda a divisa brasileira.