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Mercado

Como a crise impulsionou o mercado de seguros de vida e previdência

A pandemia de covid-19 derrubou as receitas de diversos setores da economia, mas dois produtos conseguiram segurar as pontas e se destacar

Roberto Santos, presidente da Porto Seguro
Roberto Santos, presidente da Porto Seguro (Crédito: Fernando Martinho/Porto Seguro)
  • Em meio à pandemia, os brasileiros sentiram a necessidade de buscar mais segurança. País já registrou mais de 162 mil mortes por coronavírus
  • Enquanto muitos setores da economia sofrem até agora com duras perdas no faturamento, um efeito contrário aconteceu com o seguro de vida
  • Especialistas ouvidos pelo E-Investidor falam sobre a digitalização do setor securitário, o efeito positivo na previdência e o que o consumidor deve saber antes de contratar uma apólice

(Valéria Bretas e Isaac de Oliveira) – A empresária Adriana Bucci, de 47 anos, não tinha o hábito de se planejar financeiramente. Apesar de trabalhar com marketing na área da saúde, ela conta que procrastinar os planos para o futuro foi sempre um hábito. Mas quando a pandemia de coronavírus explodiu no Brasil e provocou uma recessão econômica de peso ao redor do mundo, ela sentiu um sinal de alerta bater à porta.

“Eu já pensava em fazer um seguro de vida há algum tempo, mas o plano nunca saía do papel”, conta. “Todos ficaram muito apavorados com essa situação. A covid foi a cereja do bolo no meu caso.” E o timing não poderia ter sido melhor: nos primeiros meses de isolamento, uma corretora entrou em contato com Adriana oferecendo um seguro de vida – por uma questão de segurança, ela contratou a apólice.

“O ser humano não pensa na morte, mas não podemos fugir desse fato. Se acontece algo comigo agora, os meus familiares não terão dores de cabeça por conta de dinheiro”, diz.

Com mais de 162 mil mortes por coronavírus em território nacional e milhares de pessoas perdendo o emprego ou com a renda mensal reduzida radicalmente por conta da paralisação na atividade econômica, o relato de Adriana espelha um senso de urgência por proteção financeira sentido por outros brasileiros.

Enquanto muitos setores da economia sofrem até agora com duras perdas no faturamento, um efeito contrário aconteceu com o seguro de vida – uma das três modalidades de seguros de pessoas e danos.

De acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) – órgão que regula o setor -, de janeiro a setembro deste ano, os seguros contratados somaram R$ 14,6 bilhões em receitas, alta de 11,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

“A crise deixou muito claro para as pessoas a importância de ter um seguro e pensar na longevidade. Esse movimento, associado ao trabalho de educação financeira que os corretores têm feito para explicar os produtos, mostra que a retomada do setor vai ter continuidade”, diz Vinicius Brandi, diretor da área de seguros da Susep.

Em linhas gerais, os contratos desse tipo de seguro cobrem morte por causa acidental, como em um acidente de carro, natural, como a velhice, e também invalidez total ou parcial, provocada por algum tipo de doença ou acidente. O pagamento do prêmio em caso de morte por pandemias e epidemias, porém, não fazia parte desse pacote e as seguradoras eram protegidas pela legislação brasileira para se isentar.

Diante do cenário inédito, a Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor) impulsionou uma campanha no mês de abril para a inclusão das mortes por covid-19 na cobertura dos seguros de vida. E não demorou muito até o apelo virar lei. No dia 20 de maio, o Senado Federal aprovou o projeto que impede as seguradoras de não realizar o pagamento do prêmio em vítimas do novo coronavírus.

“Houve um senso de responsabilidade. O instituto do seguro não poderia se isentar naquele momento, se não cairia em descrédito. Essa foi uma decisão social e não econômica ou financeira”, diz Armando Vergilio, presidente da Fenacor.

Mas essa não foi a única mudança que a crise causou no mercado. As empresas também aprimoraram alguns produtos, passaram a negociar os prazos de pagamento e a oferecer descontos e mais opções de atendimento.

A Porto Seguro, por exemplo, lançou duas iniciativas pensadas para a situação de confinamento e de retomada das atividades no País. No serviço ‘Porto Cuida’, os segurados têm cobertura para consultas on-line com profissionais da saúde, como orientação médica, psicológica e nutricional.

Já o programa ‘Retorno Seguro’ foi criado para oferecer uma consultoria técnica às empresas com soluções tecnológicas e visita de um técnico de segurança para avaliar riscos e propor orientações no local de trabalho.

“Entendemos que essa fase de retomada precisa de um olhar atento. Desenvolver novas soluções de acordo com as demandas dos consumidores é algo que sempre esteve no nosso DNA”, diz Roberto Santos, presidente da Porto. “Por conta da proximidade do risco, em face da vivência da pandemia, a sociedade demandará muito mais soluções que contemplem suas necessidades.”

Com as mangas arregaçadas para driblar as dificuldades impostas pelo isolamento, as seguradoras têm apresentado bons resultados mesmo nos meses mais críticos da pandemia. De janeiro a outubro, por exemplo, a Mapfre Brasil viu a procura por seguro de vida saltar 6,5% em relação ao mesmo período de 2019.

Os números traduzem o reforço que a seguradora fez ainda em março, com o pagamento integral da indenização em caso de morte por infecção pela covid-19. “Uma parte importante da carteira não tinha direito à cobertura em caso de pandemia. O primeiro passo que tomamos foi ampliar essa cobertura para 100% das apólices, sem nenhuma obrigação”, diz Fernando Pérez-Serrabona, CEO da Mapfre Brasil.

Digitalização do setor

Uma falha nas transações securitárias, percebida há anos pela indústria, era no avanço da digitalização do setor como um todo. Como a pandemia trancou as pessoas dentro de casa, as empresas e os corretores foram forçados a fazer adaptações radicais em um curto período de tempo.

Uma pesquisa realizada pela fintech americana Intuit QuickBooks reforça este cenário: o estudo identificou que 49,7% das pequenas empresas brasileiras estão mais digitais hoje por conta da covid-19.

O que começou como uma preocupação no início da crise virou um conjunto de soluções integradas para o consumidor: vistorias on-line, plataformas mais interativas, atendimento por robôs e renovação ou contratação 100% digital – tudo para evitar o contato físico, mas atender a demanda dos brasileiros.

“Aceleramos de forma definitiva o processo de atendimento ao cliente. Evoluímos no aspecto tecnológico e digital em uma velocidade expressiva. Esse foi o grande salto de qualidade do mercado”, diz Jorge Nasser, presidente da Federação das Empresas de Previdência Aberta (FenaPrevi) e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros. “Essa reação foi uma forma de engajamento com a realidade das pessoas. É uma fase que entrou para a história do mundo dos seguros e fez com que aumentássemos a nossa eficiência.”

Jorge Pohlmann Nasser, presidente da Federação das Empresas de Previdência Aberta (FenaPrevi) e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros
Jorge Pohlmann Nasser, presidente da Federação das Empresas de Previdência Aberta (FenaPrevi) e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros (Crédito: Divulgação Fenaprevi)

Em meados de abril, a Porto Seguro acelerou o cronograma de lançamento de duas ferramentas, inicialmente programadas para saírem do papel em dezembro. Por meio do aplicativo Whatsapp ou ChatBot no site, por exemplo, o cliente consegue acionar a seguradora para pedir um guincho, reparo técnico, chaveiro, entre outras funções.

“Em média, 80% de todos os atendimentos pelo Whatsapp são concluídos no aplicativo sem necessidade de intervenção humana. Isso aumenta muito a eficiência operacional da empresa”, diz Santos.

De acordo com o presidente da Porto Seguro, o custo do atendimento automatizado representa apenas 20% do valor de um contato telefônico.

Nesse novo ambiente, o Banco Inter decidiu entrar na disputa das mudanças digitais. Em maio, a fintech lançou um app para contratação personalizada de seguros. A ‘Plataforma de Proteção’, como foi batizada, utiliza inteligência artificial para sugerir diferentes tipos de produtos, coberturas e até o nível de proteção necessária em função do momento de vida do usuário.

Na avaliação da Susep, a transformação digital impulsionou um modelo de contratação de seguros mais flexível e tornou o acesso mais democrático para as pessoas procurarem produtos que atendam necessidades específicas.

“A simplificação para um processo menos engessado tem um potencial muito grande para o mercado melhorar eficiências e descobrir novas formas de trabalhar”, diz Brandi.

A Mapfre também reforçou o relacionamento digital com clientes e corretores, uma vez que o suporte presencial estava impossibilitado. Para soluções digitais e rápidas, a empresa passou a fazer vistoria de veículos por meio de fotos por aplicativo. Em casos de perícia, também foi aceito o uso de WhatsApp para o envio de vídeo ou fotos.

Os esforços assumidos pelas empresas garantiram celeridade para manter as operações, mas, na avaliação de Marcio Coriolano, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), há mais espaço para renovação do setor e poucas novidades em termos de produto.

“O mercado precisa de produtos mais flexíveis. Isso não significa lançar seguros com baixa cobertura, mas dar flexibilidade para contratar capital segurado e vender apólices sem burocracia”, diz. Permitir a contratação de seguros sem necessidade de assinatura em papel é um exemplo destacado pelo executivo.

“Essas mudanças poderiam atrair mais consumidores, que estão mais seletivos na hora das compras por conta da crise. A modernização precisa ser acelerada”, diz Coriolano.

Efeito positivo na previdência

Depois de perder força nos meses de março, abril e maio – durante o auge da crise -, a indústria de previdência privada engatou um bom ritmo de recuperação. As contribuições em ativos de previdência somaram R$ 12,6 bilhões em agosto, um crescimento de 9,5% ao registrado no mesmo mês de 2019, segundo dados da FenaPrevi.

A captação líquida (diferença entre novos depósitos e resgates) também fechou o mês no campo positivo, com R$ 6,5 bilhões, valor 21% maior em relação ao saldo do ano passado.

“Infelizmente aprendemos com a dor, mas agora os brasileiros estão mais dispostos a falar sobre seguro e previdência privada”, diz Nasser, presidente da FenaPrevi. “O grande desafio hoje está na capacidade de transformar essa predisposição em uma ação de fato. Estamos otimistas com esse novo comportamento em relação ao planejamento do patrimônio e à proteção das famílias.”

Na esteira da recuperação, a Viva Previdência também tem conseguido superar os dias ruins vividos no início do ano. Entre maio e outubro de 2020, a empresa atingiu a média de 120 novas adesões por mês – um avanço de 800% se comparado às 15 adesões de abril, ápice da queda de vendas. Até março, a média era de 65 por mês.

“As pessoas criaram consciência de que precisam de uma previdência, mas, como é um investimento de longo prazo, preferem esperar para ter mais clareza se conseguem ter fôlego para contribuir com o plano todo mês”, diz Silas Devai Jr., diretor-presidente da Viva.

Se Adriana tinha dificuldade para contratar um seguro de vida e aproveitou a pandemia para dar este passo, o publicitário André Santos, de 53 anos, usou o momento para refazer o orçamento familiar e encontrou um espacinho para a previdência privada da sua filha recém-nascida, Marina, hoje com sete meses de vida.

“A pandemia acelerou o meu processo de decisão”, diz. O publicitário conta que fez o investimento da primogênita, Raquel, quando ela tinha apenas um ano de idade. Hoje ela está com 15 anos e o pai se diz satisfeito com o saldo acumulado no fundo.

Sobre a adesão em plena pandemia, ele diz que apesar de ter enxugado alguns custos com planos de internet e TV, por exemplo, preferiu assumir um compromisso que trará retornos no futuro. “Quanto mais você protela, mais os anos passam e você demora para conquistar o objetivo que pretende”, afirma Santos.

André Santos, 53 anos, publicitário
André Santos, 53 anos, publicitário (Arquivo pessoal)

Na visão de Vergilio, da Fenacor, a mudança no entendimento é favorecida pelo atual cenário econômico do País. “Antigamente, quem investia em um CDI ou na poupança conseguia um rendimento honesto. Com a taxa básica de juros [Selic] em sua mínima histórica de 2% ao ano, perde-se dinheiro. A ficha caiu”, diz.

Dentro da previdência privada, existe uma série de fundos que são agrupados em três grandes categorias: renda fixa, ações e multimercado, disponíveis com valores que podem começar com R$ 50 por mês. O investimento costuma ser indicado para pessoas com pouca experiência no mercado financeiro, já que a aplicação é administrada por um profissional especializado que decide em quais ativos o montante será aplicado.

Apesar de a pandemia ter derrubado a rentabilidade dos brasileiros no primeiro semestre, a carteira de fundos previdenciários se recuperou da fase difícil e entrega rendimentos acima da média no acumulado de 12 meses. A Magnetis Investimentos mapeou quais aplicações entregaram rentabilidade superior a 15% no período. Veja abaixo:

AtivoModalidadeRetorno em 12 meses*
BB BRASILPREV EXTERIOR IVRenda Fixa37,72%
BRADESCO TOUCAN XXI RECRenda Fixa27,54%
BB BRASILPREV EXTERIOR IIIMultimercado26,42%
BRASILPREV TOP ASGMultimercado25,69%
BRADESCO TOUCAN XXXI HTM NRRenda Fixa24,24%
BRADESCO TOUCAN XXI HTM NRRenda Fixa24,22%
BRADESCO TOUCAN XXXI DPV NRRenda Fixa23,24%
BRADESCO ASSURANCE 3 FIRenda Fixa20,03%
BB PREV PÚBLICO IGP-M IRenda Fixa19,39%
PORTO SEGURO CONCEDIDOS TRADICIONALRenda Fixa18,98%
BRADESCO ASSURANCE 2 FIRenda Fixa18,81%
SANTANDER PREV ANNUITY FIRenda Fixa16,03%

*Até outubro de 2020/ Fonte: Magnetis

O presidente da Fenaprevi reforça ainda que não se investe em previdência pensando no curto prazo. Ou seja, olhar os lucros do investimento no mês, segundo o executivo, seria um equívoco, já que a aplicação exige olhar para um horizonte maior.

“Em uma carteira pensada para o longo prazo, é necessário separar uma parte para ativos de previdência. Ela auxilia com a disciplina e concorre com uma rentabilidade durante um período muito mais longo”, afirma Nasser. “É um dos poucos investimentos que suportam o comportamento de uma curva de taxa de juros [preço do dinheiro ao longo do tempo].”

Seguro de vida é investimento?

Destinar parte da renda mensal para um seguro pensado para o falecimento – ou eventual diagnóstico de doença grave – de um familiar pode não ser uma decisão comum nas famílias. Afinal, nem todo mundo gosta de falar ou pensar sobre a morte. Porém, há quem considere que a apólice, além de oferecer proteção contra esses riscos, também é um investimento.

Na visão de Sarai Molina, gestora da área educacional da Ágora Investimentos, o seguro é uma forma de indenização e não se caracteriza como uma classe de investimentos. “Se você compra um carro por R$ 100 mil, decide não fazer o seguro e acontece algum acidente ou roubo, você perderá toda a quantia investida. O seguro cobre possíveis prejuízos através do pagamento de um prêmio, que equivale a um custo representativo daquele determinado bem”, diz Molina. “Se fosse investimento, você receberia esse dinheiro de volta.”

Ainda que ele não traga retornos periódicos, como lucros e dividendos atrelados a ações de companhias listadas na bolsa de valores, a apólice permite preservar o patrimônio para os herdeiros e deve entrar no planejamento financeiro de longo prazo. Em termos práticos, o seguro de vida garante que o dinheiro investido será pago em algum momento, ainda que sem uma data definida.

“Poucas pessoas já se atentaram ao fato de que o seguro de vida pode ser o primeiro patrimônio possível de uma pessoa. A indenização da apólice pode representar o sustento de uma família em caso de um falecimento, por exemplo”, diz Nasser, da Fenaprevi.

Independentemente da leitura, a recomendação dos especialistas é de reservar uma parte do orçamento para ativos de proteção. “Tudo é uma questão de fazer um planejamento para você e para a sua família, seja para manter o seu padrão de vida ou proteger entes queridos contra imprevistos”, diz Molina.

Vale a pena?

Historicamente, fazer reservas financeiras pensando no futuro não é uma prática comum do brasileiro. E existe uma confusão que precisa ser desmistificada antes de contratar um seguro de vida ou investir em uma previdência: ambos são necessários para um planejamento saudável de longo prazo.

Ou seja, investir em uma previdência pensando na compra de um carro novo, por exemplo, é uma visão equivocada. O ideal é separar uma fatia da renda mensal para objetivos de curto prazo, como uma viagem; médio, como trocar de veículo; e longo, já de olho em uma aposentadoria.

Todos os especialistas consultados pelo E-Investidor são claros ao dizer que tanto o seguro de vida como a previdência são dois itens indispensáveis – independentemente do momento de vida. Afinal, a crise da covid-19 mostrou que é impossível prever o futuro e, portanto, é indispensável tomar atitudes preventivas contra eventualidades.

É importante conversar com um profissional, como um corretor de seguros ou especialista em investimentos, para destrinchar todas as coberturas contratadas em uma apólice e as diferenças entre os planos ou fundos de previdência.

No caso do seguro de vida, você precisa fazer uma análise da sua renda e de todos os custos fixos do mês para avaliar qual seria o valor necessário para manter a família estável em caso de falecimento ou doença grave.

O fato do seguro não sofrer cobrança de imposto de renda e do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), tributação que incide sobre heranças, é mais um item para entrar na sua conta, mas não deixe de observar o contrato com atenção e avaliar todos os riscos que não são indenizados pela sua apólice.

A previdência, por outro lado, não oferece o mesmo benefício tributário e sofre com alíquotas que podem variar entre 10% e 35%. Mesmo assim, é consenso entre as fontes ouvidas pela reportagem que a combinação dos dois produtos é uma boa aposta para usufruir em vida do montante acumulado no futuro e garantir que os herdeiros recebam uma quantia honesta de patrimônio em caso de morte do segurado, sem dores de cabeça com custos extras, para reconstruir a vida com menos dificuldade.

Abaixo, confira a entrevista que o E-Investidor fez com Jorge Pohlmann Nasser, presidente da Federação das Empresas de Previdência Aberta (FenaPrevi) e da seguradora de vida e previdência do grupo Bradesco Seguros:

E-Investidor: A cultura do seguro ainda é pouco difundida no Brasil. Essa conscientização é mais comum em outros países?

Jorge Pohlmann Nasser: Há países com uma penetração maior do seguro de vida, principalmente pelo nível de renda quando é mais alto ou por uma questão cultural mesmo. Nós ainda vivemos em um ambiente em que o brasileiro vai em uma concessionária para comprar um carro zero, escolhe tudo o que precisa para o veículo com muita calma e a maior preocupação é não sair do local sem confirmar o seguro. Mas se você perguntar para essa mesma pessoa se ela tem um seguro de vida, provavelmente a resposta será não. Esse é um comportamento de um país que vê a aquisição de bens como prioridade imediata. Aprendemos com a crise que, além dos bens, a segurança é necessária para a proteção das famílias. É isso que vai garantir patrimônio na ausência da pessoa que era a provedora daquela família.

Muitos evitam o seguro de vida por achar que a apólice pode ser cara. Como avaliar o que é caro ou barato?

Ser caro é um pouco de mito. Se você tem uma necessidade adequada ao seu momento de vida e com a sua reserva financeira, o que é caro? As pessoas vão em um restaurante e pagam os 10% pela taxa de serviço e pagam com gosto quando são bem atendidas. O caro ou barato está atrelado em atender ou não a sua expectativa. Há um leque fantástico de produtos no mercado e com valores que podem variar de R$ 10 até R$ 5 milhões. Tudo vai depender da necessidade, do tipo de cobertura que a pessoa está buscando e da capacidade da seguradora de apresentar o real valor daquela proposta para o cliente. Há também uma infinidade de novas empresas entrando no mercado e, mesmo com as atuais de maior porte, é possível encontrar produtos mais competitivos pela capacidade de escala que elas têm.

O que o consumidor precisa avaliar antes de contratar um seguro de vida ou fazer um plano de previdência?

Existem alguns itens básicos para analisar na previdência e no seguro de vida. A primeira questão é identificar momento de vida: sou solteiro, estou iniciando no mercado de trabalho e não tenho filhos ou dependentes que envolvam outras despesas extras? Posso iniciar um plano de previdência. Casei e agora tenho alguém que vive comigo? Já é a hora de ter futuro planejado e conquistar patrimônio para que essa pessoa consiga honrar algumas despesas na minha ausência. Esse é um patrimônio que você compra com um seguro de vida, por exemplo. Pagando pouco por mês, a pessoa garante uma cobertura que é equivalente ao patrimônio que ela não conseguiu constituir ao longo da vida. É importante avaliar ciclos. Se proteção não é mais um problema, a pessoa pode pensar um pouco mais em renda para a aposentadoria. É necessário analisar onde você se encontra nesse ciclo de vida de evolução pessoal e profissional.

É necessário revisar a cobertura contratada?

Faça uma revisão constante do que você adquiriu. As pessoas acabam se acomodando com o preço estável, mas é importante avaliar se faz sentido continuar com aquela cobertura que você contratou anos atrás. Com o tempo, é uma sensação de falsa proteção que acontece às vezes. As pessoas precisam estar atentas se o produto ainda faz sentido para a atual fase da vida em que ela se encontra. Esse é o grande segredo.

O setor conseguiu equilibrar as contas durante a crise. Qual é o maior desafio agora?

Se hoje você se lembra de colocar uma máscara para sair de casa, faça o exercício de pensar se já tem proteção para você e para a sua família. Ter a consciência de que é necessário se proteger de outras formas é tão importante quanto. O seguro é como se fosse uma máscara hoje em dia. Esse é o nosso maior desafio. Trazer conhecimento para as pessoas sobre a formação da cultura previdenciária e da reserva de longo prazo.

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